Kassab: "Se Lula fizer um governo para o centro, por que não apoiá-lo?"
Presidente nacional do PSD afirmou que pode apoiar o 4º mandato do Lula dependendo do posicionamento político da gestão
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao Canal Livre, que vai ao ar neste domingo (1º), que o partido pode apoiar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um quarto mandato se o petista montar uma gestão voltada para o centro político e com diretrizes claras na economia.
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O papel do PSD no novo cenário eleitoral
Ao tratar do papel do PSD no cenário pós-eleitoral, Kassab reforçou que a legenda se define como de centro e abriga correntes distintas. "O PSD é um partido de centro, portanto, compreensível que tenha no partido aqueles um pouco mais à esquerda, é o caso do Otto Alencar, Antônio Brito, Eduardo Paes, e aqueles um pouco mais à direita, Ronaldo Caiado, Ratinho e tantos outros", afirmou.
Ele emendou a análise com uma dúvida sobre a orientação do novo mandato. "Com a vitória do Lula, candidato de esquerda, eu respondo com uma outra pergunta. Será que o Lula vai fazer um governo para o centro? Esse é o grande desafio que nós temos. Se ele fizer um governo para o centro, deixando claro quais serão as suas linhas mestras na condução da política econômica, apoiando algumas reformas estruturais do país, em especial a reforma eleitoral e algumas reformas do Judiciário, por que não apoiá-lo?", questionou.
Segundo Kassab, o partido ainda aguarda sinais mais objetivos de posicionamento da próxima gestão, mas condicionou uma eventual participação formal na base aliada a um diálogo efetivo com o centro. "O PSD não pode se sentir como base se não tiver um governo que tenha os seus olhos também para o centro. Eu passei uma mensagem ao presidente, cumprimentando pela vitória, e no momento que ele nos convidar para uma conversa, nós vamos deixar muito claro isso, que nós acreditamos que se ele fizer um governo também voltado ao centro, ele terá a chance maior de ser bem sucedido", declarou.
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Programas sociais x ajuste fiscal
Ao comentar os compromissos sociais assumidos na campanha, Kassab disse que pretende "ser justo" com Lula e lembrou o primeiro mandato do petista. "Eu vou procurar ser justo com o presidente, nem passa pelas minhas ideias que ele abandone os seus compromissos. Assim como foi em 2003, quando ele se elegeu, ele tinha lá o compromisso do Minha Casa Minha Vida, Luz para Todos, Bolsa Família, cumpriu todos. Eu acho que ele deverá, e eu acho correto, cumprir esses compromissos que têm um custo muito alto", avaliou.
Para Kassab, essa agenda aumenta a responsabilidade na escolha do futuro titular da área econômica. "Aumenta muito a sua responsabilidade na escolha do ministro da Economia, porque você pode ter um olhar voltado para os seus compromissos no campo social, e é correto que o tenha, foi compromisso de campanha, mas você não pode deixar de ter na economia alguém que traga tranquilidade ao empreendedor, ao investidor, de que apesar desses compromissos, ele vai promover o equilíbrio fiscal", afirmou.
O presidente do PSD defendeu que o ajuste ocorra sem aumento de impostos. "Ele vai promover, portanto, corte de gastos, ele vai promover corte de subsídios, de privilégios, porque é o único caminho, porque não se admite o aumento da carga tributária", completou.
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Direita, centro e a correlação de forças no Congresso
Questionado se um eventual governo Lula enfrentaria um Congresso "arisco", Kassab discordou dessa leitura e apontou a disposição de partidos do centro em participar da administração. "É uma leitura errada que vocês estão fazendo. Ou a esquerda ficaria isolada se o presidente fosse o Flávio? Ou você acha que, num governo Lula, esses partidos do centro não vão se esforçar para ser governo? Já estão acenando para isso. Já estão batendo na porta", declarou.
Ele comparou o cenário caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) tivesse vencido a disputa presidencial com a situação atual. "O Flávio presidente, ele teria, assim, uma maioria esmagadora e a esquerda ficaria isolada. O Lula presidente, eu acho que é o inverso. A direita, que é mais forte hoje, tão forte que veja a votação do Flávio Bolsonaro e que ela é maior nesses últimos quatro anos do que no governo do Jair Bolsonaro, mas ela vai ficar isolada na Câmara", afirmou.
O programa será exibido às 20h na BandNews TV, BandNews FM e Rádio Bandeirantes e às 23h na Band TV, com transmissão também pelo YouTube de Band Jornalismo, Band.com.br e Bandplay. Participam da entrevista os jornalistas Fernando Mitre, Thays Freitas e Eduardo Oinegue, com apresentação de Rodolfo Schneider.
