Política

Lula diz que sua reeleição não é vitória só do Brasil: 'Lição para o mundo'

Presidente também comentou a derrota de líderes conservadores no cenário internacional, como Benjamin Netanyahu e Donald Trump

4 min

05/11/2026 21:11 • Atualizado há 1 hora

Lula diz que sua reeleição não é vitória só do Brasil: 'Lição para o mundo'

Lula ao lado de Janones

Brian Snyder/Reuters

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que o resultado do segundo turno das eleições presidenciais ultrapassa as fronteiras nacionais e representa uma "vitória para o mundo" e uma "lição" de alcance internacional.

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A declaração foi feita durante transmissão ao vivo realizada ao lado do deputado federal André Janones (Rede), na qual o mandatário avaliou o impacto geopolítico do pleito e detalhou os primeiros passos de sua agenda de governo.

Foi uma vitória não para o Brasil. Foi uma vitória para o mundo, está inspirando o mundo todo. --Lula

O presidente relacionou o desfecho eleitoral a derrotas de lideranças conservadoras no cenário externo, apontando que na mesma semana o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu perdeu em Israel e Donald Trump enfrenta revés nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

Modelos de liderança e compromisso com o eleitor

Questionado sobre a condição de referência para o campo progressista internacional, Lula compartilhou uma reflexão sobre estilos de liderança a partir de uma conversa que teve com Donald Trump, na qual sustentou que um governante precisa escolher se deseja ser uma figura temida ou amada. Segundo o petista, um líder amado desperta a vontade de ser ouvido, ao passo que uma liderança temida faz com que as pessoas se escondam por medo.

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O presidente ressaltou que seu maior receio na vida pública é "mentir para o povo" e quebrar a confiança depositada pelos cidadãos. Ele enfatizou que a mobilização histórica de eleitores idosos —muitos dos quais superaram limitações graves de locomoção para votar— e de jovens nas ruas confere ao Brasil o papel de símbolo global de resistência democrática.

Medida Provisória e Ministério da Segurança

No campo institucional, Lula anunciou que se reunirá com os titulares da Casa Civil e do Ministério da Justiça para discutir a edição de uma Medida Provisória voltada à criação do Ministério da Segurança Pública.

Segundo o presidente, a formalização da nova pasta atende a uma reivindicação direta da sociedade e terá como foco o combate ao crime organizado, o aporte financeiro às forças de segurança e a cooperação federativa com estados e municípios. Ele antecipou ainda a intenção de criar uma guarda nacional de caráter especial para atuar na proteção da população trabalhadora.

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Ofensiva contra as bets e críticas à audiência no STF

O endurecimento contra as plataformas de apostas online (bets) foi outro ponto de forte destaque na transmissão. Lula relatou que a decisão do governo de intervir no setor partiu da observação de trabalhadores endividados dentro do próprio palácio, além de relatos sobre o endividamento de recrutas nas Forças Armadas.

O mandatário criticou o formato da audiência pública conduzida pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando ter ficado contrariado com a presença majoritária de representantes de clubes de futebol em detrimento de entidades da sociedade civil que debatem o tema.

Lula defendeu que as receitas de agremiações esportivas não podem ser sustentadas pela exploração financeira das famílias mais vulneráveis e sustentou que os recursos antes drenados pelas apostas já voltaram a impulsionar o consumo no comércio de alimentos e produtos básicos.

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Investimentos em IA e terras raras

Na agenda econômica e científica, o presidente assegurou que o país fará investimentos maciços em inteligência artificial (IA), na economia verde e na economia digital por meio de universidades e institutos federais, afirmando a meta de transformar o Brasil em uma referência global no setor.

Lula também ressaltou a atuação do recém-criado Conselho Nacional de Política Mineral, destacando a prioridade em relação aos minerais críticos e terras raras. O objetivo traçado pelo Executivo é superar o modelo de mero exportador de minérios brutos para industrializar, processar e produzir mercadorias, gerando emprego e retendo riquezas no país.

Economia criativa e celebração do Dia da Cultura

A transmissão contou com a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, por ocasião do Dia da Cultura. A ministra celebrou as políticas públicas que vêm atendendo municípios e produtores em todo o país, desde as artes cênicas até o setor audiovisual.

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Lula assumiu o compromisso público de fortalecer a economia criativa, defendendo que o segmento deve ser tratado como uma indústria pujante, capaz de alavancar o crescimento econômico e gerar renda e emprego formal para os profissionais que vivem da produção cultural brasileira.

Durante a conversa, Janones celebrou os números da campanha nas redes sociais, ressaltando a marca de mais de 10 milhões de seguidores no canal "Exército de Lula" e defendendo a realização de transmissões semanais ao longo do mandato para combater a desinformação.