Mansão de ator, camarote no Carnaval e mais; as regalias de Vorcaro a 'KN'
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, organizou e pagou um pacote de luxo com hospedagem
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, organizou e pagou um pacote de luxo com hospedagem em casa de alto padrão no Rio de Janeiro e serviços de Carnaval para um grupo associado ao ministro do STF Kássio Nunes Marques, em meio a interesses do banco em um julgamento bilionário e a suspeitas de repasses ao filho do magistrado; Nunes e Kevin Marques negam qualquer irregularidade.
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Pacote de luxo em casa de ator no Rio
A propriedade usada no feriado é uma residência avaliada em R$ 250 milhões que pertence ao ator Márcio Garcia e fica no Joá, na zona oeste do Rio, área considerada uma das mais caras do país. Segundo diálogo extraído do celular de Vorcaro, é ali que Nunes Marques teria passado o Carnaval com a família.
As mensagens, divulgadas pelo portal Metrópoles, mostram o banqueiro tratando dos detalhes com o agente de viagens Léo Serrano. O pacote de estadia na casa, com serviços associados, chegou a quase R$ 1,5 milhão, de acordo com os registros mencionados nas investigações.
Em um dos trechos, Serrano escreve: "Essa casa do Joá (contrato bem restritivo, mas acho que se ficar lá o KN funciona bem)". Vorcaro responde: "Ok tudo". Em outra conversa, o empresário volta a se referir a "KN", sigla que, para a Polícia Federal, alude ao ministro do STF.
Além da hospedagem, os diálogos detalham um conjunto de benefícios oferecidos ao grupo ligado a "KN", que incluía acesso a eventos e serviços exclusivos durante o período festivo.
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- Estadia na casa de alto padrão no Joá, de propriedade do ator Márcio Garcia
- Acesso a camarote em programação de Carnaval
- Distribuição de kits personalizados para os convidados
- Motoristas à disposição do grupo
- Passeio de helicóptero pela cidade
- Fornecimento de bebidas durante as atividades
'KN' em julgamento da destilaria Alcídia e nas conversas sobre o filho
Quatro meses antes do Carnaval, em outubro de 2024, o mesmo código aparece em outra conversa de Vorcaro, desta vez com Luiz Rennó, diretor jurídico do banco Master. Ele comemora a decisão favorável à instituição em um processo envolvendo a destilaria Alcídia, julgado pela Segunda Turma do STF por 3 votos a 2.
Na mensagem, conforme o conteúdo recuperado, Rennó registra o placar e escreve os nomes dos ministros que votaram a favor: "Fachin, Toffoli e Cássio". Em seguida, compartilha o contato de Kevin Marques, filho de Nunes Marques, acompanhado da expressão "dominado aqui", e retoma o assunto pouco depois.
"Dominado aqui", escreve Rennó ao enviar o telefone de Kevin Marques. Em outro momento, ele questiona: "Esse aqui, 500 mil por mês, mantém? Esse aqui já era né?", ao que, segundo a transcrição, Vorcaro responde com risos.
Alcídia é o nome de uma destilaria envolvida em uma disputa bilionária sobre precatórios que poderia gerar lucros ao banco Master, o que coloca o julgamento no centro do interesse da instituição. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Master transferiu mais de R$ 6,5 milhões para a empresa Consult, que repassou R$ 282 mil à conta de Kevin Marques.
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Kevin afirma que os valores se referem a serviços jurídicos prestados à Consult e nega ter recebido dinheiro diretamente do banco Master ou de Daniel Vorcaro. O ministro e o filho também rejeitam a interpretação de que os diálogos revelam uma relação financeira indevida com o grupo de Vorcaro.
Impedimentos, voto no caso Alcídia e negativas de Nunes Marques
O nome de Nunes Marques aparece ainda no trâmite do próprio caso Alcídia. Inicialmente, o ministro se declarou impedido para julgar o processo. Meses depois, revisou a posição, alegou que o registro de suspeição ocorreu por engano e se considerou apto a votar na disputa sobre precatórios que podia render ganhos ao banco Master.
Em outra frente, na última terça-feira, Nunes Marques se declarou impedido de participar da análise sobre a abertura de investigação que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o banco Master. Ele justificou a decisão afirmando que, por presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), poderia haver dúvida sobre sua imparcialidade nesse caso específico.
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Diante da divulgação das mensagens e dos relatórios financeiros, o ministro reagiu publicamente e negou qualquer vínculo indevido com o grupo econômico investigado.
"Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco", afirmou Nunes Marques ao comentar o caso.
O magistrado também disse que não trocou mensagens com Vorcaro nem fez qualquer pedido ao empresário. Tanto ele quanto Kevin Marques insistem que as conversas recuperadas pela PF e os pagamentos à Consult não tiveram relação com decisões do Supremo, enquanto as apurações seguem em curso.
