Band Política

Flávio Dino cobra plano contra incêndios após alerta de super El Niño

Ministro afirmou que os estados e a União precisam detalhar como estão se preparando caso as previsões climáticas se confirmem

BEATRIZ MATOS

25/05/2026 • 11:04 • Atualizado em 25/05/2026 • 11:20

Bastidores de Brasília
Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS

Flávio Dino suspende quebra de sigilo de Lulinha na CPMI do INSS

Reprodução: Victor Piemonte/STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o governo federal e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal expliquem, em até 10 dias úteis, quais medidas estão sendo tomadas para enfrentar o risco de aumento de incêndios florestais provocado pelo fenômeno climático El Niño.

Compartilhar

Dino cita estudos e alertas de órgãos ambientais e meteorológicos que apontam alta probabilidade de um El Niño forte — ou até um “super El Niño” — entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027.

Na decisão, o ministro afirmou que os estados e a União precisam detalhar como estão se preparando caso as previsões climáticas se confirmem e haja um aumento significativo dos incêndios florestais no segundo semestre.

Segundo os documentos, o fenôeno pode provocar seca mais intensa, temperaturas acima da média e aumento do risco de queimadas, principalmente na Amazônia e no Pantanal.

O ministro também mencionou dados do INPE mostrando avanço nos focos de incêndio neste ano. Entre janeiro e maio, o número de queimadas na Amazônia cresceu 51% em relação ao mesmo período de 2025. No Pantanal, o aumento foi de 132%.

El Niño mais forte em 140 anos

Novas projeções climáticas indicam o aumento da possibilidade de formação de um super El Niño ainda este ano - um cenário que pode levar o planeta a registrar novos recordes de temperatura até 2027. Projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF, na sigla em inglês) apontam o fenômeno como potencialmente tão intenso que pode se tornar o mais forte em 140 anos.

De acordo com o professor de ciências atmosféricas Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, em entrevista ao jornal The Washington Post, existe um risco real para a formação do mais forte El Niño em mais de um século, por conta de um fenômeno excepcionalmente intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027.

O El Niño se caracteriza por um aumento de pelo menos 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico. Diferentemente de um El Niño convencional, o chamado super El Niño está associado a um aquecimento superior a 2ºC, o que é suficiente para alterar os padrões climáticos de todo o globo e o regime de chuvas. O novo fenômeno pode quebrar o recorde do El Niño de 2015, quando a temperatura do Pacífico alcançou 2,8ºC acima da média.

Se o cenário se confirmar, os efeitos poderão ser sentidos em escala global. Entre os impactos previstos estão secas severas em partes da América Central, da África Central, da Austrália, da Indonésia e das Filipinas, além de chuvas torrenciais com risco de enchentes em países como Peru e Equador e em outras áreas próximas à Linha do Equador. No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul - a exemplo do que aconteceu em 2024.

Newsletter Notícias

Inscreva-se na nossa newsletter e receba as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail.

Selecione os seus temas favoritos: