
Daniel Vorcaro
@danielvorcarobr/ Reprodução/ Instagram
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou recurso e manteve o monitoramento sobre o patrimônio de Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. A medida foi adotada pelo TJ a pedido dos administradores responsáveis pela liquidação extrajudicial do Banco Master.
Os liquidantes do conglomerado querem esclarecer se imóveis, participações em empresas, veículos e outros ativos atribuídos aos dois possuem algum tipo de ligação com operações realizadas antes da intervenção nas instituições financeiras. A intenção é evitar que eventuais bens considerados relevantes para o ressarcimento de credores sejam transferidos sem que a existência da disputa judicial seja finalizada.
Na última segunda-feira (8), o desembargador Paulo Roberto Grava Brazil negou um recurso apresentado pela defesa dos parentes de Vorcaro e preservou uma decisão que havia determinado, em abril, o registro de alertas judiciais sobre esse patrimônio.
Na prática, a decisão permite que a Justiça acompanhe movimentações dos bens e registre a existência do processo em diversos cadastros. A medida não bloqueia contas, não apreende patrimônio e não impede a venda de imóveis, empresas ou veículos. Ela funciona como um alerta público informando que aqueles bens estão no centro de uma discussão judicial, dificultando alegações futuras de que terceiros desconheciam a controvérsia.
A ofensiva judicial dos liquidantes do Master de olho no patrimônio dos Vorcaro começou em março. Segundo os responsáveis pela liquidação, há indícios de que operações envolvendo empresas ligadas à família e renegociações de créditos concedidos pelo banco precisam ser analisadas mais profundamente.
A defesa da família Vorcaro contesta. Henrique e Natalia afirmam que nunca participaram da administração do Grupo Master, sustentam que possuem patrimônio próprio e independente das atividades do banco e alegam que não existem provas de ocultação ou tentativa de esvaziamento patrimonial. Por esse motivo, pediram a derrubada da medida.
Ao analisar o recurso, o desembargador entendeu que as investigações ainda estão em fase inicial e que há elementos suficientes para justificar a manutenção do monitoramento.
O caso é um dos capítulos das batalhas judiciais abertas após a liquidação extrajudicial do Grupo Master, iniciada em novembro de 2025, por ordem do Banco Central. Nesse caso, além de buscar identificar a origem e o destino de recursos movimentados antes da intervenção, os administradores tentam mapear patrimônios que, na avaliação deles, podem ter relação com operações sob investigação e eventualmente servir para compensar prejuízos de credores.
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