Paulo Rabello de Castro analisa impacto econômico da crise no STF
Em entrevista ao Jornal Gente, o ex-presidente do BNDES classifica o atual momento institucional de "dia da vergonha"

A repercussão da sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou contornos econômicos severos nesta quarta-feira (16). Durante participação no Jornal Gente (Rádio Bandeirantes e BandNews TV), o economista e ex-presidente do IBGE e do BNDES, Paulo Rabelo de Castro, classificou os episódios recentes na Suprema Corte como o "dia da vergonha nacional" e um verdadeiro "7 a 1 do Estado de Direito".
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Para o especialista, a deterioração das garantias constitucionais impacta diretamente o ambiente de negócios e as perspectivas para o próximo ano.
Insegurança Jurídica e o Impacto nos Investimentos
Aversão ao Risco Externo: O economista ressaltou que o investidor estrangeiro que atua sob a jurisdição brasileira sente-se profundamente desprotegido quando a própria Constituição deixa de ter salvaguardas institucionais firmes.
Cenário de Crescimento Estagnado: Segundo projeções apresentadas pelo consultor, o Brasil deve continuar preso a um ritmo fraco de expansão econômica, projetando um crescimento entre 1,5% e 2% para o próximo ano, mantendo o país em um ciclo de baixo desempenho ("copo meio cheio, copo meio vazio").
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Ajustes Fiscais e Previdenciários: Rabello de Castro também pontuou que o desgaste institucional caminha lado a lado com falhas crônicas de controle fiscal e monetário, citando problemas estruturais em órgãos como o INSS.
A Necessidade de uma Revisão Constitucional
Diante do desgaste generalizado entre os poderes, o analista avalia que o país precisará de uma revisão constitucional profunda a partir de 2027, abrindo frentes para reformas estruturais — incluindo o reequilíbrio de prerrogativas e freios institucionais para conter excessos no Judiciário, além de reformas administrativas, tributárias e fiscais.
Apesar do pessimismo com o clima político e institucional, o especialista concluiu que o mercado segue pautado pelo pragmatismo, operando sob a expectativa de que o sistema encontre válvulas de escape legais e políticas para evitar rupturas sistêmicas mais graves.
