Pedido de anulação da eleição divide oposição aliada a Flávio Bolsonaro
Enquanto uma ala defende a judicialização da disputa, outra parte adota uma postura mais pragmática
A noite de apuração das eleições, neste domingo (25), foi marcada por uma reviravolta na oposição aliada a Flávio Bolsonaro (PL). Ao não reconhecer o resultado das urnas e pedir anulação da eleição, o campo oposicionista se dividiu. Enquanto uma ala defende a judicialização da disputa, outra parte adota uma postura mais pragmática.
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A atmosfera da campanha mudou da euforia à decepção em menos de duas horas: por volta das 20h30, o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou a contagem de votos e consagrou-se vencedor do pleito.
O candidato derrotado do PL, Flávio Bolsonaro, não reconheceu o resultado das urnas e declarou que contestará a derrota na Justiça, pedindo a anulação da eleição. Em pronunciamento, o senador criticou a condução do processo eleitoral:
"O que aconteceu não foi algo normal, foi algo inaceitável. O ministro Zanin, que não faz parte do TSE, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Eu nunca vou saber, no estado em que as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições", disse.
Divisão no bloco oposicionista e centrão
A postura do candidato, no entanto, expôs divisões dentro do próprio campo oposicionista. Enquanto uma ala defende a judicialização da disputa, outra parte adota uma postura mais pragmática.
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Legendas do Centrão que apoiaram Flávio no segundo turno, como o PSD de Gilberto Kassab, União Brasil e Podemos, além do PSDB, que se manteve neutro, já reconheceram a vitória de Lula e afirmaram que o momento atual exige reconciliação.
Ronaldo Caiado, candidato à presidência pelo PSD, também defendeu o respeito ao resultado da apuração:
"Como democratas que somos, nos curvamos à decisão da maioria e à decisão da apuração. Essa sempre foi a nossa característica", declarou.
No Republicanos, o presidente do partido, Marcos Pereira, parabenízou Lula publicamente e ressaltou que o novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros. Por outro lado, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que percorreu o país ao lado de Flávio durante a campanha, ainda não se pronunciou.
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Bastidores pós-resultado
No dia seguinte à derrota, Flávio Bolsonaro passou boa parte da segunda-feira em sua residência, em contato com conselheiros políticos e advogados. O senador também visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Segundo interlocutores, o ex-presidente consolou o filho após o resultado e o aconselhou a olhar para a frente, focando nos quase 60 milhões de votos recebidos e na articulação junto ao Congresso do ano que vem, que estará mais alinhado com a direita.
