PF apura contratos milionários do Master e conversas que citam Lula
Investigação mira repasses ligados a autoridades e mensagens sobre encontros com o presidente
A Polícia Federal investiga contratos milionários firmados pelo Banco Master com escritórios de advocacia, suspeita de que os pagamentos tivessem finalidades além da consultoria jurídica. No último balanço publicado, em 2024, a instituição financeira reportou gastos superiores a meio bilhão de reais com serviços técnicos especializados.
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Os investigadores analisam repasses expressivos a escritórios associados a figuras de destaque no meio jurídico:
- Escritório Barci de Moraes: Capitaneado por Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, recebeu mais de R$ 80 milhões. A investigação aponta que o próprio ministro teria editado o contrato, que previa pagamentos totais superiores a R$ 130 milhões.
- Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia: Liderado por Dalide Barbosa Alves Corrêa, ex-integrante do IDP, o escritório recebeu R$ 33 milhões.
- Turma do KN: Apuração encontrou contrato de mais de R$ 400 milhões destinado ao escritório da advogada Camila Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos (TRF-1), associado pelo material a menções ao ministro Kássio Nunes Marques.
- Escritório Warde: Comandado por Walfrido Jorge Warde Júnior, recebeu mais de R$ 70 milhões.
Mensagens e reuniões sob escrutínio
Extratos de mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, divulgados pelo jornal O Globo, mostram o advogado Walfrido Warde relatando conversas e supostos encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola).
Em registros de janeiro de 2025, o advogado escreveu que teria se reunido com o presidente e que este teria perguntado sobre o banqueiro, mandando agradecer a entrega de um uísque. Registros oficiais apontam que Vorcaro esteve no Palácio do Planalto em três ocasiões, sendo uma delas fora da agenda oficial, em dezembro de 2024.
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O Palácio do Planalto informou que Lula encontrou Vorcaro uma única vez, ocasião em que pontuou que eventuais investigações ou perseguições sofridas pelo banqueiro deveriam ser tratadas pelo Banco Central. A gestão federal negou veementemente o recebimento de presentes ou o envio de recados.
Em resposta ao caso, a defesa de Flávio Bolsonaro apresentou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar se o presidente utilizou o cargo em favor de interesses do banqueiro.
