Política
Canal Livre

Presidente do PT defende fim das “desonerações ad aeternum” para setores

No Canal Livre, Edinho propõe revisão de incentivos, corte de penduricalhos e reforma do Estado para equilibrar contas

4 min

08/11/2026 16:15 • Atualizado há 35 min

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o fim das desonerações permanentes, o combate a privilégios e uma reforma do Estado com ajuste fiscal baseado na melhoria do gasto público, em entrevista ao Canal Livre que vai ao ar neste domingo (8), na tela da Band.

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Fim das desonerações ad eternum

Ao tratar da agenda econômica, Edinho afirmou que o atual modelo de incentivos tributários precisa mudar e citou o volume de renúncias fiscais no país para alguns setores da economia. "Está longe do que nós queremos. Eu não estou dizendo que a gente não tenha que melhorar a qualidade do gasto público, que a gente não tenha que fazer uma reforma do Estado brasileiro, que a gente não tenha que combater os penduricalhos, que a gente não tenha que entrar para dentro das desonerações. Como pode um país como o Brasil, a gente chegar a R$ 700 bilhões de desoneração?', perguntou

Para o dirigente petista, é preciso recolocar as desonerações no seu papel original de apoio temporário a setores estratégicos da economia. "Temos que olhar o que interessa para a economia. Quando você desonera, o que é o pressuposto da desoneração? O que você quer é incentivar um setor da economia, você está protegendo um setor da economia para que esse setor cresça, para que ele se estabeleça, para que ele se torne competitivo", explicou.

Não pode ter desoneração ad eternum. Não pode ter um setor da economia que eternamente será protegido

Segundo Edinho, a política de desoneração deve seguir critérios e um modelo de desenvolvimento e pediu um "debate racional" sobre o tema. "Setores que estão mais estabelecidos não precisam de desoneração, setores que estão se estabelecendo precisam de desoneração. Agora, não pode ter desoneração ad eternum, porque quem paga o preço da desoneração é a sociedade brasileira, é o conjunto da sociedade brasileira", completou.

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"Temos que ir pra dentro dos privilégios"

Edinho também defendeu que a continuidade de benefícios fiscais precisa estar vinculada a um interesse coletivo claro. "Nós temos que olhar o que efetivamente interessa ao Brasil continuar desonerando, porque tem que ter algum interesse coletivo", afirmou.

"Se nós aqui pagamos a conta da produção desse copo, tem que ter algum motivo. Nós estamos pagando a conta. Esse copo, ele é estratégico hoje? Ou produzir caneta é estratégico? Ou produzir inteligência artificial, produzir alta tecnologia é estratégico? Então, nós temos que fazer esse debate com o país. Nós temos que entrar para dentro dos privilégios", defendeu.

Ao falar dos chamados 'penduricalhos', o presidente do PT citou os chamados supersalários no serviço público, em especial nas carreiras jurídicas. "O governo pretende abraçar uma reforma administrativa e o presidente Lula tem falado muito de uma reforma de Estado. Esse Estado hoje, existente no Brasil, ele é o Estado que dá conta do Brasil do século XXI?", questionou.

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Ajuste fiscal x benefícios sociais

Questionado sobre os gastos do governo, Edinho Silva afirmou que é possível buscar equilíbrio das contas públicas com cortes e revisão de privilégios, preservando políticas sociais. "A gente tem muitas áreas para a gente buscar eficiência, melhorar o gasto público, combater privilégios sem você mexer nos benefícios da população que mais precisa do Estado, que mais precisa do governo", disse, ao defender que o ajuste fiscal ocorra sobretudo pelo corte de gastos ineficientes.

Segundo ele, o presidente Lula já iniciou conversas internas sobre um desenho de governo para um próximo mandato, com foco na reforma do Estado. "O presidente chamou a mim, chamou o Camilo (Santana), o Rafael Fonteles (governador do Piauí) e o Rui Costa para que a gente começasse um trabalho pensando o próximo mandato. Nós fizemos reuniões, começamos a enxergar a situação dos ministérios, enxergando também as composições da Câmara e do Senado. E coube a mim, nessa divisão de tarefas, que eu iniciasse as conversas com os partidos. As conversas têm sido extremamente positivas", acrescentou.

Canal Livre neste domingo

A entrevista de Edinho Silva ao Canal Livre vai ao ar neste domingo (8), às 20h, na BandNews TV, na BandNews FM e na Rádio Bandeirantes, e às 23h na Band. O programa também será transmitido no YouTube de Band Jornalismo, em Band.com.br e no Bandplay. Participam da conversa os jornalistas Fernando Mitre, Thays Freitas e Felipe Vieira. A apresentação é de Rodolfo Schneider.