Relatório da PF aponta pelo menos 10 encontros entre Vorcaro e Moraes
Investigação ressalta que não é possível afirmar, com absoluta certeza, se todas as reuniões aconteceram

O relatório da Polícia Federal (PF) sobre a rede de relações do empresário Daniel Vorcaro — dono do Banco Master e investigado por fraude bilionária — traz novos elementos sobre a proximidade entre o banqueiro e o meio político e judiciário. De acordo com o documento, as mensagens analisadas apontam pelo menos 10 encontros entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, incluindo episódios ocorridos pouco antes da prisão do executivo.
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A investigação ressalta, no entanto, que não é possível afirmar com absoluta certeza se todas as reuniões de fato aconteceram, visto que o levantamento se baseia primordialmente nas mensagens e registros encontrados nos dispositivos apreendidos do banqueiro.
Conversas e compromissos mapeados
O material recuperado detalha que os supostos encontros envolviam desde compromissos profissionais e atualizações de agendas até reuniões em residências privadas e eventos tanto no Brasil quanto no exterior.
Alguns trechos destacados pela PF ilustram a dinâmica das tratativas:
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- 28 de outubro do ano passado: Em uma mensagem de visualização única enviada a Moraes, Vorcaro sinaliza a viagem a Brasília: "Tô indo mais tarde pra BSB, se conseguir encontrar algum horário. Se não puder hoje mais tarde, posso passar na sua casa amanhã na hora que der. Tema rápido, só pra dar uma atualização".
- 14 de novembro: Um diálogo indica a marcação de um compromisso direto: "Vou chegar 14 e 30. Lá em casa, marcado".
- 16 de novembro (véspera da primeira prisão): Vorcaro envia outra mensagem temporária ao ministro: "Bom dia. Já estou em voo, vou pousar às 14h20 e vou direto pra aí, tudo bem?".
Outras possíveis reuniões e interações também foram mapeadas a partir de conversas que Vorcaro manteve com familiares e auxiliares diretos, relatando deslocamentos e proximidade com o magistrado.
Limite na investigação
Apesar do volume de indícios encontrados nos celulares, o relatório da Polícia Federal esbarra em limitações institucionais. O documento não avança em apurações aprofundadas sobre o conteúdo dessas reuniões porque a corporação depende de autorização do próprio Supremo Tribunal Federal para investigar ministros da Corte.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o teor das mensagens divulgadas no relatório.
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Troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes
Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugere que eles discutiam a possibilidade da Polícia Federal deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo.
O conteúdo das mensagens foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmado pela reportagem da Band.
Conforme o relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master na Suprema Corte, eles trocaram mensagens em 15 de novembro de 2025, ou seja, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.
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Em 17 de novembro do ano passado, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, diz o conteúdo das mensagens.
Bate-boca entre Moraes e Mendonça
O clima esquentou nos corredores do STF após André Mendonça derrubar sigilo da ação que mostra mensagens entre Vorcaro e Moraes. Os dois ministros protagonizaram uma discussão acalorada na chegada para a sessão da Corte, exigindo inclusive a intervenção da equipe de segurança.
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O atrito começou quando Moraes se aproximou de Mendonça no início da sessão para pedir uma conversa rápida. O magistrado parou para ouvi-lo, mas o diálogo evoluiu rapidamente para bate-boca, com ambos elevando o tom de voz e se exaltando diante dos presentes.
Diante da tensão e do risco de escalada na abordagem, os seguranças que atuam no local precisaram intervir prontamente para apartar a discussão entre os ministros. O episódio surpreendeu quem acompanhava a movimentação prévia da sessão desta terça-feira.
