STF vive dia de bate-boca generalizado e sessão termina sem definição
Discussões aos berros, acusações cruzadas entre ministros e pedido de vista marcam julgamento histórico na Corte
O Supremo Tribunal Federal (STF) vivenciou um dos momentos mais tensos de sua história recente durante a sessão que debateria a abertura de investigações envolvendo ministros. Longe da serenidade institucional recomendada pela presidência, o plenário foi tomado por discussões aos berros, bate-bocas generalizados e troca de acusações diretas entre magistrados, transformando o tribunal em palco de um embate político explícito.
Continua depois da publicidade
A tensão escalou quando ministros divergiram sobre a condução dos processos e a relatoria de casos sensíveis. Em meio a debates exaltados com direito a dedos em riste e recusa de apartes, o plenário registrou bate-bocas entre André Mendonça e Alexandre de Moraes, além de fortes críticas desferidas por Gilmar Mendes e Flávio Dino contra a presidência da corte, comandada por Edson Fachin, cuja condução foi classificada por aliados como "desastrada".
Placar apertado e manobra regimental
No aspecto processual, o julgamento ficou travado após uma série de declarações de impedimento e suspeição — como os casos de Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Com o placar parcial indicando quatro votos para manter os processos separados (Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia) contra quatro votos favoráveis à unificação e sorteio de novo relator (Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino), a definição acabou adiada.
A reviravolta veio quando o ministro Flávio Dino apresentou um pedido de vista, suspendendo a tramitação da matéria por até 90 dias. A manobra gerou forte repercussão e críticas sobre a tentativa de ganhar tempo, enquanto ministros lamentaram a espetacularização da justiça a poucas semanas do pleito eleitoral, deixando o tribunal sem uma solução definitiva para a crise institucional.
