Política
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Vereadora pede cassação de Kilter após ele defender demissão de petistas

Laís Leão acusa parlamentar de quebra de decoro; Kilter contesta recomendação do Ministério Público do Trabalho.

4 min

28/10/2026 16:32 • Atualizado há 2 horas

A vereadora de Curitiba Laís Leão (PDT) pediu a cassação do mandato de Guilherme Kilter (Novo) por possível quebra de decoro parlamentar após a publicação de um vídeo nas redes sociais com a expressão "Movimento demita petista". A representação foi apresentada à Câmara Municipal de Curitiba.

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Em resposta à repercussão do caso, Kilter, que foi eleito deputado federal pelo Paraná nas eleições de 2026, anunciou nesta quarta-feira (28) que pretende recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para tentar suspender uma recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT), que solicitou a retirada da publicação e uma retratação.

O vídeo publicado pelo parlamentar apresenta relatos de pessoas que afirmam ter sido demitidas por manifestar apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT). Durante a gravação, aparece repetidamente a frase "demitir petista gostoso demais".

Laís Leão aponta possível quebra de decoro parlamentar

Na representação encaminhada à Mesa Diretora da Câmara, Laís Leão afirma que o conteúdo ultrapassa a divergência política e pode incentivar a discriminação de trabalhadores por suas convicções ideológicas.

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O documento reúne mais de 30 capturas de tela de comentários feitos na publicação, incluindo mensagens de pessoas que afirmam ter demitido funcionários por motivos políticos.

Uma das mensagens orienta empresários a esconder a verdadeira razão das demissões, alegando corte de gastos para evitar possíveis processos trabalhistas. Segundo a representação, o perfil de Kilter curtiu e respondeu ao comentário com símbolos de alvo.

As publicações não comprovam, por si só, que as demissões relatadas tenham ocorrido.

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“O fato de um parlamentar ser um dos mais votados ou ter milhares de seguidores em uma rede social não dá a ele privilégios perante a lei. Isso aqui não é terra de ninguém!”, afirmou Laís Leão.

A vereadora pede a investigação da conduta e, caso seja comprovada a infração, a aplicação da penalidade de cassação do mandato.

Guilherme Kilter contesta atuação do Ministério Público do Trabalho

Em nota oficial, Guilherme Kilter afirmou que apresentará uma representação ao Conselho Nacional do Ministério Público para suspender a recomendação do MPT.

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O parlamentar argumenta que o órgão extrapolou suas atribuições ao tentar interferir em sua atuação política e sustenta que suas manifestações estão protegidas pela imunidade parlamentar.

“O MPT não tem autoridade para ditar o que um parlamentar pode ou não fazer no exercício do mandato. Sou vereador, tenho imunidade parlamentar e não atuo como empregador. Essa recomendação é uma tentativa de ultrapassar os limites legais e interferir na atividade política. Vamos contestar essa medida e exigir que cada instituição respeite suas competências”, declarou Kilter.

O vereador também argumenta que não mantém relação de emprego na condição de empregador que justificaria a intervenção do Ministério Público do Trabalho.

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A representação anunciada por Kilter busca a suspensão da recomendação e a apuração da conduta institucional do MPT.

O que determinou o Ministério Público do Trabalho?

Após receber uma denúncia de assédio eleitoral, o MPT expediu uma recomendação para que Kilter retirasse as publicações questionadas e divulgasse uma retratação no mesmo canal.

O órgão também recomendou que o parlamentar deixasse de estimular empregadores a discriminar ou demitir trabalhadores por suas preferências políticas.

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Segundo os documentos encaminhados por Laís Leão, a recomendação prevê que a retratação permaneça publicada por cinco dias, com comprovação do cumprimento em até 48 horas após o recebimento.

A vereadora também enviou ao MPT documentos complementares e pediu a investigação de possíveis demissões discriminatórias, além da avaliação de uma ação civil pública por eventual dano moral coletivo.

Pedido de cassação será analisado pela Câmara

A representação contra Guilherme Kilter será submetida à análise da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Curitiba, responsável por avaliar a admissibilidade do pedido.

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O Código de Ética do Legislativo municipal prevê a possibilidade de cassação em casos de conduta incompatível com a dignidade da Câmara ou falta de decoro parlamentar.

A apresentação da representação não significa a abertura automática de um processo de cassação. Caso o procedimento avance, o vereador terá direito ao contraditório e à ampla defesa.

Kilter foi eleito deputado federal pelo Paraná em outubro de 2026, com 269.832 votos, e atualmente exerce mandato de vereador em Curitiba.

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