Você sabia que Lula não é uma pessoa só? Pois é
Veja no comentário do âncora do Jornal da Band, Eduardo Oinegue

Você sabia que Lula não é uma pessoa só? Pois é
Reprodução/Band
Você já se deu conta de que não dá para dizer que Lula foi reeleito? Calma. Falar simplesmente “Lula foi reeleito” é uma simplificação, que do ponto de vista eleitoral faz sentido. Mas, do ponto de vista econômico, não é assim. Do ponto de vista econômico os três governos Lula – o Lula 1, Lula 2 e o atual Lula 3 – são diferentes entre si.
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Parece até que foram comandados por presidentes diferentes. Você notou a reação do mercado ao anúncio da vitória de Lula? Aconteceu isso porque o mercado está enxergando no Lula 4 uma continuação do Lula 3. Que é chefe de um governo que jogou a dívida pública nas alturas, que produziu deficit atrás de defict no orçamento, e que alimenta com a uma pratica fiscal gelatinosa uma taxa de juros real que é a mais alta do mundo.
Como os números são insustentáveis e como há uma expectativa de que o próximo governo coloque as contas públicas em ordem, se o Lula 4 for isso que o mercado teme – uma sequência do Lula 3 -- a economia tende a enfrentar maus bocados porque vem aí mais uma temporada de gastança. Mas e se o Lula 4 se inspirar não no Lula 3, mas no Lula 1, o cenário muda completamente. Em 2002, depois de perder três eleições presidenciais, Lula percebeu que precisava conquistar a confiança de quem não acreditava no PT. O que ele fez?
Aceitou assinar a Carta ao Povo Brasileiro, que traz compromissos com a economia de mercado, escolheu um empresário como vice, José Alencar, e depois de eleito, fez duas nomeações extraordinárias. Antonio Palocci na Fazenda e Henrique Meirelles, recém-eleito deputado pelo PSDB, no Banco Central. E fez mais. Elevou a meta de superávit primário, contingenciou verba do orçamento, e aceitou juros de 26,5% para conter a inflação.
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A mensagem era clara: responsabilidade fiscal exige decisões difíceis. Enquanto Palocci segurava as contas, começava a nascer outra visão econômica. Carlos Lessa, no BNDES, defendendo maior intervenção estatal. José Dirceu também dando seus pitacos e Dilma Rousseff ampliando o planejamento estatal no setor elétrico e, depois, na Casa Civil. O trio resistia ao ajuste.
Quando Palocci saiu, em 2006, Lula escolheu Guido Mantega para Fazenda e o Lula 1, pró-mercado, deu lugar ao Lula 2, que ampliou o protagonismo do Estado. Vieram o PAC, a expansão do BNDES, os empréstimos do Tesouro ao banco, os subsídios e as flexibilizações das metas fiscais. Lula entregou a Dilma uma economia com reservas internacionais elevadas, dívida líquida em queda e crescimento forte.
Mas deixou instalada uma estrutura de intervenção estatal e crédito subsidiado que seria ampliado e resultaria nas mãos de Dilma, na maior recessào de nossa história. A escolha da persona do quarto mandato vai definir o futuro próximo do Brasil. Com um detalhe importante. Desta vez, Lula não poderá dizer que recebeu uma herança maldita. Porque a herança é dele mesmo.
