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Política

Vorcaro autorizou viagem do filho de Paulo Gonet a Londres: ‘Óbvio, né?’

Troca de mensagens aparece em relatório da PF, que foi tornado público pelo ministro André Mendonça

4 min

01/09/2026 15:42 • Atualizado há 53 dias

Vorcaro autorizou viagem do filho de Paulo Gonet a Londres: ‘Óbvio, né?’

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recebeu um pedido para que o filho do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, fosse para um evento em Londres, segundo relatório da Polícia Federal.

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O documento da corporação foi tornado público nesta terça-feira (1º), após decisão do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 29 de março de 2025, o advogado Ciro Gomes disse a Daniel Vorcaro que “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. O dono do Banco Master responde: “Óbvio, né?".

Em 11 de abril, uma funcionária de Daniel Vorcaro questiona o banqueiro se os nomes “estão aprovados para irem para Londres com as despesas pagas” pelo banqueiro. O dono do Banco Master faz a ressalta: “Pedro e Ciro ok”, em menção ao filho do PGR e Ciro Soares.

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O evento em Londres de 2025 acaba sendo cancelado, conforme relatório da Polícia Federal.

Decisão de André Mendonça

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o levantamento definitivo do sigilo sobre os autos da Petição 16.662.

A ação penal apura as atividades de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, incluindo as apurações sobre mensagens do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

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De acordo com relatórios da Polícia Federal, Vorcaro teria montado uma rede de monitoramento e influência com potencial de infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições públicas do país. A suspeita é de que o grupo utilizava informações sigilosas para obter vantagens em negociações econômicas suspeitas e, preventivamente, planejar uma fuga coordenada caso as autoridades descobrissem o esquema.

Provas encontradas no celular

As principais suspeitas da PF foram extraídas da análise técnica realizada no aparelho celular de Daniel Vorcaro, apreendido em fases anteriores da operação. As mensagens mostram diálogos do empresário com um interlocutor ainda não identificado pela polícia.

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Com base nessas conversas, a perícia aponta que Vorcaro tinha conhecimento prévio e detalhado sobre:

  1. Investigações criminais sigilosas que tramitavam na 10ª Vara Federal do Distrito Federal;
  2. Procedimentos de fiscalização e apurações em curso no Banco Central (BACEN) que estavam prestes a ser analisados pela diretoria do órgão;
  3. Articulações para intervir junto a autoridades públicas responsáveis por tomar decisões nesses processos de seu interesse.

Julgamento aberto no plenário do STF

Ao derrubar o segredo de Justiça, o ministro André Mendonça destacou que, no modelo democrático e republicano adotado pela Constituição de 1988, a regra para decisões judiciais é a transparência pública. Ele reforçou que a legislação brasileira proíbe a imposição de sigilo quando a medida "prejudique o interesse público à informação".

O ministro também ressaltou que o destino inevitável do caso é o plenário do Supremo Tribunal Federal, onde os novos elementos trazidos pela Polícia Federal serão debatidos de forma aberta e estritamente técnica. O processo agora foi enviado para análise e manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes

Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugere que eles discutiam a possibilidade da Polícia Federal deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo.

O conteúdo das mensagens foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmado pela reportagem da Band.

Conforme o relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master na Suprema Corte, eles trocaram mensagens em 15 de novembro de 2025, ou seja, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.

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Em 17 de novembro do ano passado, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, diz o conteúdo das mensagens.

Bate-boca entre Moraes e Mendonça

O clima esquentou nos corredores do STF após André Mendonça derrubar sigilo da ação que mostra mensagens entre Vorcaro e Moraes. Os dois ministros protagonizaram uma discussão acalorada na chegada para a sessão da Corte, exigindo inclusive a intervenção da equipe de segurança.

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O atrito começou quando Moraes se aproximou de Mendonça no início da sessão para pedir uma conversa rápida. O magistrado parou para ouvi-lo, mas o diálogo evoluiu rapidamente para bate-boca, com ambos elevando o tom de voz e se exaltando diante dos presentes.

Diante da tensão e do risco de escalada na abordagem, os seguranças que atuam no local precisaram intervir prontamente para apartar a discussão entre os ministros. O episódio surpreendeu quem acompanhava a movimentação prévia da sessão desta terça-feira.

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