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Quando você é obrigado a escolher o tempo inteiro, é impossível não ter angústia, pontua Pondé

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25/10/2025 22:58 • Atualizado há 364 dias

Quando você é obrigado a escolher o tempo inteiro, é impossível não ter angústia, pontua Pondé

A filosofia existencialista, popularizada por pensadores como Søren Kierkegaard e Jean-Paul Sartre, continua a ressoar profundamente no mundo contemporâneo, especialmente no que diz respeito à angústia gerada pela liberdade de escolha. Em um debate no programa "Canal Livre", o filósofo Luiz Felipe Pondé explorou como essa corrente filosófica se manifesta na vida moderna, onde a constante pressão por tomar decisões se tornou uma fonte inescapável de ansiedade.

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Fernando Mitre iniciou a discussão citando o complexo filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, considerado o pai do existencialismo, e seu livro sobre a angústia. "A angústia é absolutamente fundamental na vida de todo mundo. Todos nós aqui vivemos a angústia", afirmou Mitre, questionando como Pondé avalia esse sentimento no contexto atual.

Luiz Felipe Pondé explicou que a angústia em Kierkegaard está ligada à existência de infinitas possibilidades de escolha e ao medo constante de errar. No entanto, ele ampliou a análise para o existencialismo moderno, especialmente o de Sartre, que cunhou a famosa frase "a existência precede a essência". Segundo Pondé, essa ideia postula que os seres humanos são "lançados no mundo" em um vazio de sentido, sem um propósito pré-definido.

"Não há sentido no mundo, não há sentido prévio", resumiu Pondé, citando também Albert Camus, que descreveu a relação entre o ser humano e o universo como um "ator que busca significado em um cenário indiferente", o que ele chamou de "absurdo".

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A discussão então se voltou para como essa falta de sentido intrínseco se traduz na vida cotidiana. Sartre afirmava que "somos todos condenados à liberdade", o que significa que somos obrigados a fazer escolhas o tempo todo. Pondé argumentou que a modernidade intensificou essa condição ao destruir as estruturas tradicionais que antes guiavam as decisões humanas, como a tradição, o passado e as crenças estabelecidas.

"A modernidade transformou tudo numa escolha de desodorante. Você tem que escolher o tempo inteiro", explicou o filósofo. Essa obrigação contínua de decidir sobre tudo — carreira, relacionamentos, estilo de vida — gera uma angústia permanente. "Quando você é obrigado a escolher o tempo inteiro, é impossível você não ter angústia", concluiu Pondé.

Roberta Scherer levantou um ponto crucial: até que ponto essas escolhas são reais e não meramente ilusórias, condicionadas pelo meio social? Pondé concordou, afirmando que a noção de escolha totalmente livre é, em grande parte, uma construção recente e glamourizada. Ele mencionou a psicanálise de Freud, que sugere que muitas de nossas decisões são influenciadas por fatores inconscientes, como o "romance familiar" da infância.

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Além dos determinantes psíquicos, Pondé destacou os fatores sociais e históricos: a época e o lugar onde nascemos, a família, o ambiente social. Todos esses elementos impõem limites à nossa capacidade de escolha.

No final, o debate concluiu que, seja através da lente metafísica de Kierkegaard ou da análise social da modernidade, a angústia permanece uma condição central da existência humana. Em um mundo que exige escolhas constantes, mas oferece poucas certezas, a filosofia existencialista continua a ser uma ferramenta vital para compreender a complexidade e o peso da liberdade.

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