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Alianças de ouro roubadas em SP: delegado do Deic explica destino das joias

Investigação da Polícia Civil detalha o caminho do crime, desde o assalto nas ruas até a fundição e revenda de joias por empresas legalmente constituídas

Da redação
DA REDAÇÃO

27/12/2025 • 15:08 • Atualizado em 27/12/2025 • 15:08

O roubo de alianças e celulares se tornou uma das maiores preocupações de segurança pública em 2025. Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, (DEIC), detalhou os bastidores da Operação Ouro Reverso.

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A investigação mapeou uma sofisticada rede criminosa que não apenas recepta o ouro roubado, mas financia a logística dos assaltos e reintroduz o material no mercado formal através de joalherias.

O Ciclo que se Retroalimenta

Segundo Sayeg, a polícia identificou um "ciclo criminoso" perigoso que se retroalimenta constantemente. O esquema começa no assalto de rua e termina com o consumidor final comprando, sem saber, uma joia feita com ouro roubado — muitas vezes, da própria vítima.

A investigação, que teve início em 2022 investigando rifas ilegais e jogos de azar (envolvendo o influenciador conhecido como "Buzeira"), acabou revelando movimentações financeiras suspeitas ligadas a uma joalheria chamada "Jimmy Joias". A partir daí, a polícia desenhou o organograma da quadrilha.

As peças-chave: "Maninha do Crime" e Roni

Um ponto de virada na investigação foi a prisão de Suédina Barbosa Carneiro, conhecida como "Maninha do Crime" ou "Maninha de Paraisópolis", detida no início deste ano.

O diretor do DEIC revelou que Suédina não agia apenas como receptadora. Ela fornecia a estrutura logística para os criminosos:

  • Motos;
  • Placas adulteradas;
  • Capacetes;
  • "Bags" de entrega;
  • Armas.

"O cara queria roubar, mas não tinha estrutura. Ela falava: 'vai lá roubar, rouba e me traz de volta que eu compro'", explicou Sayeg.

A partir do celular de Suédina, a polícia chegou a Roni, um intermediário que comprava as alianças roubadas e as revendia para joalherias. Mensagens interceptadas revelaram negociações explícitas, nas quais Roni pagava cerca de R$ 322,00 pelo grama do ouro roubado — menos da metade da cotação legal, que gira em torno de R$ 714,00.

Joalherias na Mira da Polícia

A investigação apontou que empresas com CNPJ aberto, como a Jimmy Joias e outras identificadas pelas siglas J.E. e J.D., compravam esse ouro de Roni sem nota fiscal e sabendo da origem ilícita.

O modus operandi envolvia derreter as alianças roubadas (perdendo qualquer possibilidade de rastreio físico, como gravações de nomes) e transformar o material em novas peças vendáveis.

"Quem compra aliança de um cara que é do crime, sabe que essa aliança é do crime. Por isso solicitamos a prisão preventiva dessas três pessoas [donos das joalherias]", afirmou o delegado.

O Mercado Paralelo de Celulares

Além do ouro, o DEIC mantém foco no combate ao roubo de celulares. Segundo Sayeg, os aparelhos roubados têm três destinos principais:

Desmanche: Uso como peça de reposição em assistências técnicas de fachada.

Exportação: Envio para países da África e, principalmente, para a China.

Golpes Bancários: O acesso a aplicativos de bancos para transferências via PIX e empréstimos.

A polícia tem utilizado tecnologias avançadas e softwares de extração de dados para mapear receptadores e recuperar aparelhos, além de realizar operações focadas em condomínios residenciais para coibir arrastões.

Destaques da Entrevista com Dr. Ronaldo Sayeg

Confira as aspas e pontos cruciais levantados pelo diretor do DEIC durante a entrevista à Rádio Bandeirantes:

Sobre a impunidade e audiências de custódia:"O preso sai numa audiência de custódia recebendo do Estado um benefício clausulado... Na audiência seguinte, se houvesse essa comunicação, ele deveria ser preso pela primeira custódia, porque ele não fez jus ao benefício. Ele descumpriu as normas."

Sobre a responsabilidade das joalherias:"Não nos convence a estratégia dessas empresas de vir com uma nota fiscal geral... Você compra uma mercadoria com nota fiscal, com lastro, e quer usar isso para todas as outras mercadorias que a gente sabe que não têm."

Sobre a natureza do ciclo do ouro:"É um ciclo perigoso porque se retroalimenta... De qualquer ponto que partirmos, ao seguir esse caminho criminoso, ele volta para o mesmo lugar."

Sobre a segurança em condomínios:"O condomínio tem que dar total liberdade para o porteiro não liberar [a entrada]. Se não for morador ou com autorização por escrito, não libera a entrada e pronto."

A Operação Ouro Reverso terá novas fases, visando identificar outras empresas que atuam na receptação e lavagem de dinheiro oriundo de crimes patrimoniais em São Paulo.