A Seleção Brasileira está pronta para o início da fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026. Na véspera do confronto diante do Japão, na cidade de Houston, o técnico Carlo Ancelotti e o zagueiro Marquinhos concederam entrevista coletiva oficial da FIFA. Entre os temas centrais, o comandante italiano despistou sobre a manutenção do time titular, atualizou as condições físicas de Neymar e mandou um recado sobre o nível de exigência do torneio a partir de agora: "Isto não é um mata-mata. É um 'mata', e nada mais. Aqui não há volta".
Antes de iniciar as respostas sobre o panorama esportivo, Ancelotti fez questão de abrir o pronunciamento prestando total solidariedade da comissão técnica e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ao povo da Venezuela, que atravessa um período de severa crise geopolítica.
Neymar e o mistério na escalação
Questionado se pretendia repetir a formação que goleou a Escócia por 3 a 0 na última rodada — o que representaria a primeira repetição de escalação em seu período de pouco mais de um ano no cargo —, Ancelotti manteve a estratégia de não dar pistas ao técnico rival, Hajime Moriyasu.
"Não quero dar a escalação porque não quero que vocês fiquem tranquilos demais. Eu vou pensar na combinação perfeita para amanhã. Prefiro que a preocupação fique comigo", brincou o treinador.
Sobre Neymar, que atuou por cerca de 14 minutos no último jogo, o comandante garantiu que o craque apresentou uma evolução física considerável nos últimos treinamentos em Houston.
"Ele está evoluindo muito bem, progredindo. É uma pena que ele não pôde treinar todo o tempo conosco desde o início, mas ele pode jogar mais de 15 minutos, obviamente. Ele está bastante bem e a sua utilização vai depender estritamente do contexto e da evolução da partida de amanhã", revelou.
Tática e a "quebra de referências" no ataque
Ancelotti analisou de forma positiva a movimentação ofensiva mostrada pela Seleção nas últimas rodadas, destacando a importância de tirar pontos fixos de marcação dos adversários. Ele elogiou a sintonia e o preenchimento de espaços promovido pelo trio Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha.
Mobilidade: "A posição do Cunha no último jogo nos deu muita vantagem porque é uma função que não é tão bem definida no campo. É fundamental mudar de posicionamento para não dar referências ao sistema rival", explicou.
Saída de bola pressionada: Indagado se a qualidade técnica do Japão para propor o jogo de trás faria o Brasil recuar, o técnico foi enfático: "Nós já estamos considerando esse aspecto no nosso plano tático".
Marquinhos rebate favoritismo e alerta para nivelamento global
Parceiro de bancada na coletiva, o capitão Marquinhos foi confrontado com análises da crônica internacional e de ex-jogadores que colocam a organização coletiva do Japão em um patamar de extremo perigo para o Brasil. Ao ser instado a definir o favoritismo em termos percentuais, o defensor demonstrou liderança e refutou a necessidade de cravar números.
"Respeito muito os nossos adversários, mas respeito ainda mais o nosso trabalho, a nossa seleção e a nossa história. É difícil falar em porcentagem. O futebol vem se nivelando cada vez mais. Vimos muitas seleções grandes caírem para equipes que não eram de primeira prateleira no passado. A Croácia nos tirou na última Copa e, recentemente, o meu próprio clube (PSG) perdeu para o Botafogo no Mundial", alertou o zagueiro.
Marquinhos também celebrou a forte sinergia com o público nas sedes americanas, classificando esta edição como a Copa em que os atletas mais sentem a energia vinda das arquibancadas. O capitão destacou o mantra defensivo do goleiro Alisson — "um time vencedor odeia levar gols" — e pontuou que o equilíbrio mental será a chave principal para o Brasil avançar.
Fim do futebol desorganizado e foco total
Ancelotti minimizou as provocações de atletas da imprensa asiática, rechaçando a utilização de jogos mentais na preparação do elenco, e descartou a tese de que o Brasil caiu no lado mais fácil do chaveamento do torneio. Para ele, o mapeamento moderno de desempenho igualou as forças táticas e físicas ao redor do globo.
"O futebol mudou. Não existe mais equipe desorganizada ou sem um bom nível físico. Todo mundo estuda, trabalha e aprende. A diferença real e atual reside estritamente na qualidade individual, porque o talento é uma questão genética. De resto, todos jogam com extrema intensidade", concluiu Ancelotti.
Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira, às 14h (horário de Brasília / 12h no horário local de Houston), valendo vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. A partida terá transmissão completa e ao vivo da Rede Bandeirantes.
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