A Polícia Civil do Estado de São Paulo intensificou o combate aos crimes cibernéticos praticados contra e por crianças e adolescentes no ambiente virtual. Em entrevista concedida ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, a delegada Lisandrea Salvariego, integrante do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), apresentou um balanço alarmante das investigações e alertou pais e responsáveis sobre os riscos do acesso irrestrito a telas.
Criado após os episódios de ataques a instituições de ensino em 2023, o NOAD atua com policiais civis infiltrados 24 horas por dia em redes sociais, servidores e plataformas de jogos online. De acordo com a delegada, a falta de letramento digital aliada à busca por pertencimento tem exposto jovens a ambientes marcados por discursos de ódio, cooptação, extorsão, automutilação e estupro virtual.
Balanço das investigações e perfil dos crimes
Durante a entrevista, a delegada apresentou dados que refletem a dimensão do problema enfrentado pelas equipes de inteligência policial:
Vítimas resgatadas: O trabalho de monitoramento contínuo já evitou a morte e salvou mais de 400 crianças e adolescentes em situações extremas de violência induzida ou tentativa de suicídio.
Aumento do zoossadismo: Houve um crescimento de 200% nos casos de crueldade e tortura contra animais domésticos, frequentemente exigidos por criminosos sob ameaça de vazamento de fotos íntimas das vítimas. Mais de 1000 animais já foram resgatados.
Predominância feminina: Cerca de 95% das vítimas identificadas nas redes são meninas, algumas com idades a partir dos seis anos, cooptadas em chats de jogos populares ou plataformas sem moderação.
Horário crítico: A maioria dos abusos e transmissões ao vivo ocorre durante a madrugada, momento em que os menores permanecem isolados nos quartos com dispositivos conectados.
Orientação aos pais e papel da família
A Dra. Lisandrea enfatizou que o controle parental mais eficiente é a presença ativa dos responsáveis no dia a dia dos jovens. O núcleo recomenda que as famílias proíbam o uso de aparelhos celulares e computadores no quarto durante o período noturno, estabeleçam limites de tempo de tela e mantenham um diálogo aberto.
A polícia reforça que mudanças bruscas de comportamento, isolamento excessivo, queda no rendimento escolar e o uso contínuo de roupas compridas para esconder ferimentos são sinais de alerta que exigem atenção imediata.
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