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Combustíveis pressionam e crise institucional cresce no Brasil

Ex-ministro aponta custo elevado de acordo sobre combustíveis, questiona estratégia fiscal do governo e vê desequilíbrio entre os poderes como risco ao país

Por Redação
REDAÇÃO

02/04/2026 • 09:56 • Atualizado em 02/04/2026 • 09:56

Diesel

Diesel

Foto: Agência Brasil

Durante participação no Jornal Gente, o ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, fez duras críticas à condução da política econômica e ao cenário institucional brasileiro, ao comentar o reajuste do diesel e o acordo proposto pela União aos estados para conter os preços.

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Segundo Rebelo, qualquer tentativa de segurar o valor dos combustíveis terá custo elevado diante da atual situação fiscal. Para ele, o Brasil já enfrenta uma crise estrutural, com falta de recursos para áreas essenciais como saúde, educação e defesa. O ex-ministro também relacionou a alta dos combustíveis ao cenário internacional, destacando o impacto das tensões no Oriente Médio sobre o preço do petróleo, que influencia diretamente o diesel e, consequentemente, toda a cadeia de consumo.

Rebelo criticou ainda o que considera omissão do governo federal por não explorar reservas nacionais de petróleo, como na margem equatorial. Na avaliação dele, isso aumenta a dependência externa — hoje entre 20% e 30% do diesel consumido no país é importado — e reduz a capacidade de reação diante de crises globais.

Ao comentar o aumento do querosene de aviação, o ex-ministro alertou para os efeitos em toda a economia, não apenas no turismo. Ele destacou que o transporte aéreo é fundamental para negócios e logística, e que o encarecimento do combustível tende a elevar custos em diversos setores.

Rebelo também questionou a política fiscal do governo, afirmando que, apesar de anunciar desonerações pontuais, a gestão compensa perdas com aumento indireto de impostos, pressionando empresas e consumidores. Para ele, a estratégia atual se baseia no aumento de gastos — impulsionado pelo cenário eleitoral — e na elevação da carga tributária.

No campo institucional, o ex-ministro fez críticas contundentes ao papel do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele avaliou que há um desequilíbrio entre os poderes, com o Judiciário assumindo protagonismo em decisões que, segundo ele, caberiam ao Executivo e ao Legislativo.

Rebelo citou como exemplo a interferência do STF em temas como política tributária e funcionamento de CPIs, apontando insegurança institucional. Na visão dele, o governo federal tem compensado a falta de maioria no Congresso com apoio no Judiciário, o que classificou como uma “anomalia”.

Sobre a possível indicação de Jorge Messias ao STF, Rebelo acredita que há grandes chances de aprovação, apesar de resistências. Ele ressaltou que a composição da Corte tem forte influência de indicações do mesmo grupo político ao longo dos últimos governos.

Por fim, o ex-ministro afirmou que a renovação do Congresso nas próximas eleições pode abrir espaço para reequilibrar as relações entre os poderes, mas destacou que mudanças mais profundas dependem principalmente da Presidência da República.