
Agronegócio
CNA/Wenderson Araujo
O conflito no Oriente Médio já provoca impactos diretos no agronegócio brasileiro, especialmente nas exportações para a região. Apesar de o primeiro trimestre de 2026 ainda apresentar resultado positivo, impulsionado por janeiro e fevereiro, os dados de março mostram queda significativa nos embarques, principalmente devido ao bloqueio do Estreito de Hormuz e ao aumento dos custos logísticos.
A interrupção da rota marítima elevou o preço do frete internacional, com empresas de navegação adotando trajetos mais longos e cobrando taxas adicionais relacionadas ao risco de guerra. O efeito foi imediato sobre produtos agrícolas, que representam cerca de 75% das exportações brasileiras para o Oriente Médio, incluindo milho, trigo, açúcar e proteínas animais.
O milho exemplifica a queda abrupta: a média mensal de exportações, que girava em torno de US$ 37 milhões em 2025, despencou para apenas US$ 25 mil em março deste ano. O trigo também registrou forte retração, praticamente sem embarques relevantes no período.
Entre os produtos, apenas as carnes conseguiram sustentar parte do fluxo comercial. O frango liderou as exportações, respondendo por US$ 186 milhões de um total de US$ 537 milhões embarcados no mês. Já a carne bovina teve aumento de 24% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionada pela alta nos preços internacionais, embora o volume exportado também tenha caído.
Diante das dificuldades logísticas, o Brasil firmou, no fim de março, um acordo com a Turquia para utilizar portos do país como rota alternativa de distribuição para o Oriente Médio. A expectativa é que a medida ajude a normalizar parte dos embarques nos próximos meses.
Os efeitos da guerra também se refletem nas importações. O Brasil, altamente dependente de fertilizantes nitrogenados da região, registrou aumento expressivo na compra desses insumos. Em março, as importações cresceram 268% em valor e 171% em volume, movimento atribuído à antecipação de estoques por parte das empresas, preocupadas com a continuidade do conflito e o impacto na próxima safra.
Em alguns casos, o transporte de fertilizantes passou a ser feito por via aérea, uma alternativa mais cara, porém considerada necessária para contornar os riscos no transporte marítimo.
O cenário internacional segue incerto, com o Estreito de Hormuz ainda fechado e o preço do petróleo voltando a ultrapassar os US$ 100 por barril. A continuidade das tensões deve manter pressão sobre custos logísticos e cadeias de abastecimento, exigindo adaptações do setor agrícola brasileiro nos próximos meses.
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