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Brasil

Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro, suspeito de liderar milícia

Dono do Banco Master é suspeito de comandar organização criminosa com braço armado para intimidação, corrupção de servidores e lavagem de dinheiro.

3 min

05/03/2026 08:46 • Atualizado há 234 dias

Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro, suspeito de liderar milícia

A Justiça Federal manteve a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seu cunhado, Fabiano Zettel. Ambos foram detidos na manhã de quarta-feira e encaminhados ao Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos, em São Paulo, onde passaram a noite. A decisão pela manutenção da prisão foi do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou a existência de indícios de uma "organização criminosa com atuação estruturada, inclusive com um braço armado de intimidação e obstrução da Justiça".

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Segundo as investigações da Polícia Federal, a organização era liderada por Vorcaro e dividida em quatro núcleos distintos. O primeiro, o núcleo financeiro, era responsável por estruturar fraudes contra o sistema financeiro nacional. O segundo, de corrupção institucional, tinha como objetivo corromper servidores do Banco Central para obter vantagens indevidas.

O terceiro núcleo era dedicado à lavagem de dinheiro. As apurações da PF indicam que mais de R$ 2 bilhões teriam sido movimentados para uma conta em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Por fim, o quarto núcleo, de intimidação, era encarregado de realizar o monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

De acordo com o inquérito, a organização mantinha uma milícia privada, apelidada de "A Turma". Este grupo era financiado para obter informações sigilosas, monitorar pessoas e intimidar qualquer um que contrariasse os interesses de Daniel Vorcaro. O líder operacional desse braço armado foi identificado como Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, que cometeu suicídio na cadeia em Minas Gerais. Mourão era tratado como "sicário", termo usado para designar um assassino de aluguel. Em trocas de mensagens interceptadas, Mourão afirmava que Vorcaro enviava um "mensal" que era dividido entre os membros do grupo.

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As investigações também revelaram ameaças diretas a profissionais da imprensa. Em uma das conversas, Daniel Vorcaro manifestou o desejo de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, afirmando que queria "quebrar todos os dentes" dele. Para a Polícia Federal, os diálogos demonstram uma clara tentativa de calar a imprensa e intimidar vozes contrárias.

A decisão do ministro André Mendonça também destaca que há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, através de seu cunhado, Fabiano Zettel. Além dos dois, foi preso um policial federal aposentado, Maurício Roseno da Silva, acusado de coordenar a vigilância clandestina dos alvos, utilizando sua experiência e aparatos da corporação para auxiliar o esquema.

A PF afirma que o grupo utilizava credenciais de terceiros para acessar ilegalmente dados sigilosos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como a Interpol e o FBI. A defesa de Vorcaro nega todas as acusações e afirma que seu cliente jamais tentou obstruir as investigações. As autoridades apontam que, mesmo após ser solto em novembro do ano passado, o esquema continuou, com ocultação de recursos e a contratação de influenciadores para atacar o Banco Central nas redes sociais.

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