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Operação contra fraude em combustíveis cumpre 59 mandados de busca em SP

Justiça nega prisões, mas impõe medidas cautelares a cinco suspeitos de misturar solvente químico que danifica motores de veículos.

Da redação
DA REDAÇÃO

28/05/2026 • 13:25 • Atualizado em 28/05/2026 • 13:25

Operação Fluxo Oculto

Operação Fluxo Oculto

Receita Federal/Divulgação

Novas revelações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira (28), detalharam uma das maiores redes de fraude de combustíveis e lavagem de dinheiro já descobertas no país. Segundo balanço divulgado em coletiva de imprensa, o esquema movimentou mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, servindo como uma bilionária engrenagem de ocultação de patrimônio para facções criminosas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), cujo montante total investigado em ramificações chega a R$ 29 bilhões.

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A ofensiva resultou no cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados (São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro). Embora o Ministério Público tenha solicitado a prisão temporária de cinco alvos principais, a Justiça negou os pedidos e impôs medidas cautelares, confiscando passaportes e proibindo-os de deixar o país ou mudar de endereço.

Adulteração com nafta e brecha em fintechs

O braço operacional do crime consistia na mistura irregular de nafta petroquímica à gasolina. De acordo com o promotor Yuri Fisberg, o uso do solvente industrial servia para sonegar impostos de forma massiva e ampliar os lucros nas bombas, provocando graves danos aos motores dos veículos dos consumidores.

O coração financeiro do esquema, porém, operava no ambiente digital. Os bilhões oriundos da fraude eram escoados por seis bancos digitais (fintechs). Os criminosos aproveitaram uma brecha regulatória vigente até 2025, período em que essas plataformas digitais não eram obrigadas a enviar declarações periódicas de movimentação à Receita Federal. O nível de audácia da organização chamou a atenção dos investigadores: em apenas uma das transações, foi identificado um depósito de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo (espécie).

Teia de fundos e cerco a autoridades facilitares

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, detalhou a complexa arquitetura utilizada para blindar o capital ilícito após a entrada dos recursos nas fintechs:

"Um dos caminhos é essa cadeia de fundos de investimento que servem para ocultar. O valor é investido em um fundo, que investe em outro, buscando dificultar o rastreamento. Na ponta final, o fundo adquire bens, empresas ou envia remessas ao exterior, que depois retornam para beneficiar o próprio criminoso", explicou Barreirinhas.

Após a deflagração da Operação Carbono Oculto e a descoberta do rombo, as regras fiscais foram endurecidas, tornando obrigatória a declaração de movimentações por parte das fintechs para fechar o cerco contra a lavagem de dinheiro. O Ministério Público informou que a nova fase das investigações vai concentrar esforços em identificar autoridades públicas e agentes políticos que exerciam cargos estratégicos e atuavam facilitando ou blindando as atividades das facções criminosas no mercado de combustíveis.