O aguardado túnel entre Santos e Guarujá, promessa histórica de ligação rápida entre as duas cidades do litoral de São Paulo, enfrenta mais um entrave antes mesmo do início das obras. O Tribunal de Contas da União (TCU) suspendeu o repasse de recursos federais destinados ao projeto.
A decisão atinge diretamente R$ 2,6 bilhões que seriam aportados pela União, metade da fatia pública do investimento. O TCU cobra esclarecimentos e melhorias na governança do projeto, exigindo regras mais claras sobre a gestão dos recursos antes de liberar o dinheiro. O prazo dado pelo tribunal é de 30 dias.
O empreendimento será viabilizado por meio de uma parceria público-privada (PPP), com investimento total bilionário. A parte pública, estimada em cerca de R$ 5,2 bilhões, seria dividida entre o governo federal e o governo do estado de São Paulo. Já a iniciativa privada, liderada pela concessionária vencedora do leilão, o grupo português Mota-Engil, ficaria responsável por um aporte ainda maior.
O governo paulista contesta a decisão e afirma que o modelo de gestão já estava definido e era de conhecimento da União. Mesmo assim, diz que vai prestar os esclarecimentos solicitados e seguir trabalhando em conjunto com a Autoridade Portuária de Santos para destravar o projeto.
Considerada uma das principais obras de infraestrutura do estado, a ligação promete reduzir o tempo de travessia entre as cidades para poucos minutos, substituindo o atual sistema de balsas. A previsão inicial é que a operação comece em 2031.
Apesar do impasse, há a possibilidade de o governo estadual assumir integralmente a parte que caberia à União, caso a liberação dos recursos federais não avance.
O episódio evidencia não apenas desafios técnicos e burocráticos, mas também o peso político em torno de grandes obras públicas — especialmente aquelas que envolvem cifras bilionárias e impacto direto na mobilidade e na economia regional.
Como será a obra
O túnel Santos-Guarujá permitirá que os motoristas das duas cidades atravessem o trecho em até 5 minutos de carro. No entanto, o novo projeto também dará acesso para quem quiser fazer a travessia de ônibus, bicicleta ou até a pé.
De acordo com o governo do Estado de São Paulo, a obra vai gerar mais de 9 mil empregos, movimentar cerca de R$ 6,8 bilhões em investimentos por meio de uma Parceria Público-Privada e beneficiar diretamente 2 milhões de pessoas.
Inédito no Brasil, o túnel Santos-Guarujá prevê integração entre os diferentes modais de transporte. São três faixas de rolamento por sentido, sendo uma delas reservada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), passagem para pedestres e ciclistas e galeria de serviços.
O projeto prevê a construção de um túnel submerso de 870 metros de extensão, incluindo uma passagem exclusiva para pedestres e ciclistas, e uma galeria de serviços para manutenção.
O contrato de concessão com o grupo Mota-Engil terá duração de 30 anos. Durante esse período, a empresa será responsável não apenas pela construção, mas também pela operação e manutenção de toda a infraestrutura, que deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos.

