Apagão em SP deixa milhões sem luz e pressiona por intervenção na Enel

Vendaval provocou apagão em larga escala, afetou comércio, serviços essenciais e levou o governo paulista a defender intervenção e revisão do contrato da concessionária.

Apagão em SP deixa milhões sem luz e pressiona por intervenção na Enel
Falta de energia em São Paulo reacende debate sobre concessão da Enel
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A falta de energia em São Paulo provocada pelo vendaval desta semana segue afetando milhões de pessoas na capital e na Região Metropolitana. Moradores de bairros como Itaquera, Parelheiros e Mirandópolis relataram mais de 30 horas consecutivas sem fornecimento de eletricidade, mesmo dias após a passagem dos ventos fortes. As reclamações se multiplicam e expõem dificuldades na velocidade de restabelecimento do serviço pela Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia no estado.

De acordo com informações atualizadas pelas autoridades estaduais, o temporal chegou a deixar cerca de 2,2 milhões de clientes sem energia elétrica. Na manhã seguinte aos primeiros registros, aproximadamente 1,4 milhão de imóveis ainda permaneciam sem luz, enquanto novas interrupções continuavam sendo registradas em razão da persistência da ventania em algumas regiões.

Diante do cenário, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a defender publicamente a possibilidade de intervenção na Enel. Segundo ele, o contrato da concessionária é de responsabilidade do governo federal, o que coloca o estado em uma posição limitada de atuação direta. 

Entre as alternativas mencionadas pelo governador está a divisão da área de concessão da Enel entre mais de uma empresa. A avaliação é de que uma área menor permitiria investimentos mais concentrados, ampliação de equipes, maior uso de tecnologia e respostas mais rápidas em situações de emergência. Essa proposta, segundo o governo, poderia ser discutida em uma futura licitação ao fim do contrato atual.

O governador também criticou o plano de contingência da concessionária. Embora a Enel tenha informado a mobilização de até 1.600 equipes de campo, número que chegou a ser ampliado em eventos anteriores, a avaliação do Palácio dos Bandeirantes é de que a estrutura não tem sido suficiente para atender a dimensão da área metropolitana paulista.

Além do impacto residencial, a crise energética já provoca prejuízos econômicos. Na CEAGESP, maior entreposto de alimentos da América Latina, comerciantes relatam perdas desde a manhã de quarta-feira. Produtos armazenados em câmaras frigoríficas, como frutas e hortaliças, tiveram que ser descartados devido à falta de refrigeração adequada. A interrupção no fornecimento também impediu a emissão de notas fiscais e documentos, comprometendo a logística e a distribuição de alimentos.

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