
Diante da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, o governo brasileiro, por meio do Exército, intensificou as medidas de segurança na fronteira entre os dois países. A principal finalidade da operação é aumentar a fiscalização para coibir irregularidades e, ao mesmo tempo, estruturar um suporte humanitário para uma eventual fuga em massa de cidadãos venezuelanos em direção ao Brasil.
Atualmente, o comando militar considera o fluxo migratório na região dentro da normalidade, descartando a necessidade de um aumento no contingente de 129 militares que já atuam na área. O clima de tensão na região foi amplificado por um tiroteio ocorrido na noite de ontem em Caracas, próximo ao Palácio Miraflores, sede do poder Executivo. Inicialmente, suspeitou-se que o incidente estivesse relacionado à ação norte-americana, mas autoridades locais esclareceram que os disparos foram resultado de uma falha de comunicação interna do exército venezuelano.
Enquanto a fronteira é monitorada, o estado de São Paulo se consolidou como um dos principais destinos para os que buscam refúgio. Dados oficiais indicam que quase 50 mil venezuelanos residem atualmente no estado. Em resposta a essa demanda, o governo paulista, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, mantém um programa de acolhimento que já dura uma década. No momento, 31 venezuelanos estão abrigados em casas de passagem e repúblicas, onde o tempo médio de permanência é de seis meses, período no qual recebem apoio para integração e inclusão produtiva na sociedade.
Na capital, a Prefeitura de São Paulo informou que sua rede de assistência social acolhe 1.009 venezuelanos. Em declaração, o prefeito Ricardo Nunes expressou o desejo de que a situação política na Venezuela se estabilize. "A gente espera que diminua, que os venezuelanos não tenham que sair do seu país. A expectativa é que a ditadura termine e as pessoas possam viver com tranquilidade dentro da democracia", afirmou o prefeito.
As estatísticas ganham rosto com as histórias de quem viveu o êxodo. Roderick, um ex-líder estudantil que se exilou no Brasil para escapar da perseguição política, relata ter encontrado no país a oportunidade de recomeçar. "Aqui não tem uma polícia política me perseguindo e, sobretudo, consigo me desenvolver produto do meu esforço. Tenho um emprego, tenho um salário e consigo estabelecer as bases da minha vida futura", disse.
O drama econômico é outro fator determinante para a imigração. Uma venezuelana, que preferiu não se identificar por temer pela segurança da filha de 16 anos que permaneceu no país, descreveu um cenário de colapso. "A situação na Venezuela era muito difícil, especialmente a parte econômica. Mesmo tendo três trabalhos, era literalmente um sofrimento. Tinha dias que não tinha água, a parte elétrica, dias sem força", relatou, acrescentando que a vida no Brasil é incomparavelmente melhor.