Bolsonaro afirma que teve alucinação antes de mexer na tornozeleira

Primeira Turma do STF avalia se mantém a prisão preventiva após violação da tornozeleira e suspeita de risco de fuga.

Bolsonaro afirma que teve alucinação antes de mexer na tornozeleira
STF julga prisão de Jair Bolsonaro
© Lula Marques/Agência Brasil

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal inicia nesta segunda-feira o julgamento que vai decidir se mantém a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. Detido desde sábado na superintendência da Polícia Federal em Brasília, Bolsonaro é investigado após a constatação de violação da tornozeleira eletrônica e de indícios de risco de fuga. A análise ocorre em sessão virtual.

Na audiência de custódia realizada no domingo, Bolsonaro afirmou ter agido em razão de uma “paranoia” causada pelo uso de medicamentos. Segundo relato feito ao juiz plantonista, ele disse ter dormido mal e acreditado que havia algum tipo de escuta instalada no equipamento de monitoramento. Diante da desconfiança, utilizou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira. O sistema registrou a violação por volta da meia-noite. Bolsonaro declarou que, ao perceber a gravidade da situação, comunicou imediatamente os agentes responsáveis pela custódia.

De acordo com o depoimento, o ex-presidente estava em casa com a filha, o irmão mais velho e um assessor, que, segundo ele, não presenciaram a manipulação da tornozeleira. O equipamento danificado aparece em um vídeo anexado a um relatório da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. No material, Bolsonaro admite ter tentado abrir o dispositivo. Com base nesses elementos, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva, destacando risco de fuga e violação das condições impostas.

No domingo, Moraes autorizou a visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos filhos na superintendência da Polícia Federal. Ela não estava na residência no momento em que o ex-presidente foi detido.

A sala em que Bolsonaro está detido é um espaço equipado com cama, TV, banheiro e frigobar. 

A defesa do ex-presidente reiterou ao Supremo o argumento de que a violação ocorreu durante um episódio de alucinação relacionado ao uso de medicamentos. O julgamento da Primeira Turma definirá se o ex-presidente permanecerá detido enquanto prosseguem as investigações.

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