Senado acelera PEC do marco temporal antes de julgamento do STF

Senado tenta constitucionalizar marco temporal antes de possível revisão do STF, ampliando tensão entre Poderes sobre demarcação de terras indígenas.

Senado acelera PEC do marco temporal antes de julgamento do STF
Senado vota marco temporal antes de análise do STF
Agência Brasil

O Senado Federal deve votar nesta terça-feira, a partir das 16h, a proposta de emenda constitucional que transforma em norma constitucional o marco temporal para demarcação de terras indígenas. A movimentação ocorre em meio à expectativa de que o Supremo Tribunal Federal retome, já nesta quarta-feira, o julgamento que pode alterar o entendimento previsto em lei, reacendendo tensões institucionais entre os Poderes.

A legislação aprovada pelo Congresso em 2023 estabelece que povos indígenas têm direito às áreas que ocupavam ou disputavam em outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. A PEC em análise hoje busca consolidar esse critério no texto constitucional, tornando-o menos vulnerável a interpretações e revisões judiciais.

De autoria do senador Doutor Hiran (PP-RR) e relatada pelo senador Esperidião Amin (PP-SC) na Comissão de Constituição e Justiça, a proposta recebeu parecer favorável. A expectativa é que o Senado aprove um calendário especial permitindo a votação em dois turnos no mesmo dia, sem necessidade de intervalo de cinco dias úteis — procedimento que já foi adotado em outras ocasiões.

Parlamentares aceleram a tramitação porque o STF deve discutir, nesta quarta-feira, a possibilidade de derrubar o marco temporal, permitindo reivindicações territoriais indígenas em qualquer área, independentemente da presença ou disputa em 1988. A análise do Supremo é vista no Legislativo como interferência em matéria já regulamentada por lei.

No Jornal Gente, o comentarista Cláudio Humberto contextualizou o cenário ao apontar que a votação da PEC representa uma reação do Senado às decisões do Supremo que, segundo parlamentares, avançam sobre prerrogativas do Poder Legislativo. Ele destacou que o impasse pode se agravar caso o STF delibere pela rejeição do marco temporal enquanto o Senado tenta incorporá-lo à Constituição.

O comentarista lembrou também decisões recentes da Corte consideradas pelo Congresso como sinal de extrapolação de competências — entre elas, a decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes que restringiu ao procurador-geral da República a legitimidade para apresentar pedido de impeachment contra ministros do STF, mesmo quando a lei menciona que qualquer cidadão pode fazê-lo.

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