
A Justiça investiga o juiz federal Eduardo Appio por suspeita de furto de garrafas de champanhe em supermercados da cidade de Blumenau, em Santa Catarina. O caso veio à tona após imagens de câmeras de segurança registrarem o momento em que o magistrado entra em um mercado, dirige-se à adega, pega uma garrafa de champanhe da marca Moët & Chandon, avaliada em cerca de R$ 400, e deixa o local sem efetuar o pagamento.
As imagens mostram Appio colocando a garrafa dentro de uma sacola antes de se dirigir à saída do estabelecimento. Na porta, ele foi abordado por seguranças do mercado e levado para uma sala reservada. O magistrado tentou deixar o local, mas foi impedido pelos funcionários. Ele só foi liberado após devolver o produto, segundo informações da polícia.
De acordo com o registro policial, há suspeita de que o juiz tenha praticado furtos semelhantes em pelo menos outros dois supermercados da cidade. As ocorrências estão sendo apuradas pelas autoridades locais, que analisam imagens e depoimentos para esclarecer os fatos e verificar se houve repetição da conduta.
Em sua defesa, Eduardo Appio afirma ser vítima de perseguição por autoridades catarinenses. O magistrado sustenta que possui comprovantes das bebidas e nega irregularidades, argumento que será analisado no curso da investigação. Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre o caso.
Eduardo Appio assumiu, há cerca de dois anos, a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. A vara ficou nacionalmente conhecida por ter sido comandada pelo então juiz Sérgio Moro até 2018, quando deixou a magistratura para ingressar na política. A atuação de Appio à frente da vara ocorreu em um período de reestruturação dos processos remanescentes da operação.
Diante das suspeitas, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), responsável pela Justiça Federal nos estados do Sul do país, decidiu afastar Eduardo Appio de suas funções enquanto os fatos são investigados.