
O Banco Central divulgou novos dados que revelam o peso dos juros reais na economia brasileira. Embora a taxa Selic esteja em 15% ao ano, os números efetivamente cobrados de pessoas físicas e jurídicas nas operações de crédito livre apresentam um cenário muito mais severo. A taxa média anual chegou a 46,3%, o maior patamar dos últimos oito anos.
Segundo os dados, empresas pagam hoje, em média, 25,2% ao ano, enquanto pessoas físicas enfrentam juros de 58,7%. Em alguns tipos de operação, os percentuais são ainda mais altos. O cheque especial tem juros médios de 139% ao ano. Já o rotativo do cartão de crédito atinge 439% ao ano — uma taxa descrita como uma das mais altas do planeta, mesmo desconsiderando economias consideradas instáveis.
A escalada dos juros ocorre em meio a índices crescentes de inadimplência. Dados da Confederação do Comércio de Bens e Serviços referentes a setembro mostram que 30% das famílias estão inadimplentes. Desse total, metade acumula dívidas atrasadas há mais de 90 dias. No rotativo do cartão, a inadimplência chega a 60%, reforçando a dificuldade de consumidores que entram nessa modalidade de crédito.
Mesmo com a inflação projetada para fechar o ano em torno de 4,5% — dentro da banda permitida — a taxa básica de juros permanece elevada. Isso revela uma dissonância entre as condições monetárias e o impacto real sobre o bolso dos brasileiros. Para especialistas e representantes do setor produtivo, o quadro cria um ambiente hostil para empreender e dificulta a recuperação econômica.
No cenário político, a disputa por direções opostas agrava o quadro. O Banco Central mantém juros altos para controlar a inflação, enquanto o governo federal tem impulsionado gastos para estimular a economia em um ano pré-eleitoral. Esse movimento contraditório, segundo críticos, deixa consumidores e empresários “no meio de um tiroteio”.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou em evento que os juros elevados refletem um governo gastador e defendeu a revisão de benefícios tributários e a desvinculação de despesas. Ele alertou que, sem mudanças, o país pode chegar a 2030 com apenas 3% do orçamento disponível para manejo, enquanto 97% estarão comprometidos com despesas obrigatórias e custeio da máquina pública.