
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, deve deixar o cargo nesta quinta-feira, 8 de janeiro, em uma movimentação que pode dar início a uma reforma ministerial mais ampla no governo Lula. Segundo interlocutores, o ministro já comunicou ao presidente seu desejo de sair, alegando ter cumprido sua missão na pasta.
A decisão de Lewandowski teria sido antecipada por um desgaste natural no cargo e pela pressão, tanto interna quanto externa, para desmembrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, recriando uma pasta exclusivamente para a Segurança. Essa ideia é defendida, inclusive, pelo conselho de secretários de segurança dos estados.
Entre os episódios que geraram desgaste estão as declarações sobre as operações policiais no Rio de Janeiro — quando o governo alegou não ter sido avisado, mas a direção da PF confirmou ter recebido informações — e falas do ministro sobre o papel do Estado na segurança. Na ocasião, Lewandowski afirmou que o foco deveria ser em uma visão "macro" e não em combater pequenos crimes, como roubo de celulares, o que gerou mal-estar com secretários estaduais.
Com a provável saída, o presidente Lula terá que decidir se indica um novo nome para a pasta conjunta ou se avança com a divisão, criando o Ministério da Justiça e um novo Ministério da Segurança Pública.
A saída de Lewandowski é vista como o início de um movimento maior no tabuleiro político com foco nas eleições de 2026.
Outros ministros também devem deixar seus cargos para disputar o pleito. Entre os cotados estão Fernando Haddad (Fazenda), que pode concorrer ao governo de São Paulo ou ao Senado, além de Marina Silva (Meio Ambiente) и Simone Tebet (Planejamento), ambas com interesse no Senado.
Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) deve tentar a reeleição como deputada federal e Rui Costa (Casa Civil) tem interesse em se candidatar ao Senado pela Bahia.