
O Papa Leão XIV desembarcou em Beirute como parte de sua primeira viagem ao Oriente Médio, em um momento em que o Líbano enfrenta uma combinação de colapso econômico e forte instabilidade política. A visita ocorre enquanto a região ainda vive tensão, apesar do acordo de paz firmado entre Israel e o Hamas. O governo libanês acusa Israel de violar a trégua, com bombardeios tanto em território libanês quanto na Faixa de Gaza. O exército israelense, segundo o relato, segue perseguindo combatentes do Hamas e do Hezbollah.
O pontífice foi recebido pelo presidente Joseph Aoun, o único chefe de Estado cristão do mundo árabe. No discurso de chegada, Leão XIV destacou a coragem necessária para que os cristãos permaneçam no Líbano e contribuam para a reconstrução do país. O sistema político libanês, único no mundo, distribui o poder entre comunidades religiosas: a presidência é sempre ocupada por um cristão maronita, o cargo de primeiro-ministro por um muçulmano sunita e a presidência do parlamento por um muçulmano xiita.
A viagem do Papa tem forte peso político. Para chegar ao palácio presidencial, Leão XIV cruzou o sul de Beirute, área controlada pelo Hezbollah, onde multidões pediram que ele condenasse as ações de Israel. O exército libanês, por sua vez, reafirmou o compromisso de desarmar o grupo, conforme prevê o frágil cessar-fogo vigente na região.
Entre discursos pela reconciliação e gestos de prudência, Leão XIV segue a linha diplomática de seu antecessor, o Papa Francisco.
A agenda do Papa no Líbano prevê encontros com o presidente e o primeiro-ministro, além de um apelo formal pela paz. No último dia da viagem, ele participará de uma oração no porto de Beirute, local da explosão de 2020 que matou 200 pessoas e agravou a crise econômica do país.
