
A Prefeitura de São Paulo anunciou um ambicioso plano de investimento de R$ 1,7 bilhão para a urbanização de Paraisópolis, a segunda maior favela da capital, localizada na Zona Sul. O projeto, detalhado pelo prefeito Ricardo Nunes, tem como pilares a melhoria da infraestrutura, a construção de novas habitações e a ampliação de equipamentos públicos, como escolas e unidades básicas de saúde. A expectativa é que as obras comecem no segundo semestre deste ano.
O montante bilionário tem origem em recursos arrecadados por meio da Operação Urbana Faria Lima. O dinheiro foi gerado a partir do leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs), títulos que permitem a empresas e construtoras edificarem acima do limite estabelecido pela lei de zoneamento em áreas nobres da cidade. Conforme a legislação, parte desses fundos deve ser revertida para melhorias em outras regiões, como é o caso de Paraisópolis.
Uma das intervenções mais significativas do plano será a reconfiguração do traçado urbano da comunidade. Para isso, será necessária a remoção de mais de duas mil moradias. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, a medida é indispensável para o alargamento de vielas e a criação de novas ruas em eixos estratégicos, além da extensão da Avenida Hebe Camargo. "Tem vielinhas lá de 60 centímetros, que mal passa uma pessoa. Então a gente vai deixar tudo acessível, essas vielas vão passar a ter 2 metros ou até 5 metros, para que possa passar um cadeirante", explicou o prefeito, ressaltando que as mudanças visam garantir também melhor ventilação e luminosidade para as casas. Nunes assegurou que todas as famílias removidas receberão atendimento habitacional e não ficarão desamparadas.
O projeto também possui uma importante frente ambiental. Está prevista a construção do parque linear Itapaíúna, com o objetivo de aumentar a cobertura vegetal da região. A iniciativa busca combater a notável diferença de temperatura em Paraisópolis, que chega a ser até 5°C mais alta em comparação com bairros vizinhos arborizados, como o Morumbi.
Antes do início das obras, a prefeitura abrirá uma consulta pública na próxima sexta-feira para que a sociedade e as lideranças locais possam contribuir com o projeto. O processo durará 10 dias, seguidos por mais cinco dias para análise das sugestões pela administração municipal. "A gente quer fazer algo que a sociedade queira e que seja importante", afirmou Nunes. A licitação para as obras está prevista para ser lançada em fevereiro, e o cronograma aponta para o começo efetivo dos trabalhos até o meio do ano, caso não haja entraves burocráticos.