PEC da Segurança Pública e marco anticrime dominam semana no Congresso

Debate sobre PEC que altera a Constituição e o marco legal anticrime movimenta Congresso e expõe disputa sobre autonomia dos estados.

PEC da Segurança Pública e marco anticrime dominam semana no Congresso
PEC da Segurança Pública enfrenta críticas de governadores
© Antônio Cruz/ Agência Brasil

A semana deve ser marcada por debates intensos sobre segurança pública no Congresso Nacional, com dois temas distintos avançando simultaneamente: a PEC da Segurança Pública e o marco legal do combate ao crime organizado. As duas iniciativas têm impactos diferentes na estrutura institucional brasileira e provocam reações variadas entre parlamentares, governadores e especialistas.

A PEC da Segurança Pública, relatada pelo deputado Mendonça Filho, está prevista para ser apresentada na reunião de líderes da Câmara nesta terça-feira. Trata-se de uma proposta de emenda à Constituição, elaborada pelo governo federal, mas que enfrenta resistência significativa de governadores. O principal ponto de crítica é o temor de perda de autonomia dos estados na execução das políticas de segurança pública. Embora o governo prefira usar o termo “padronização”, especialistas questionam o alcance dessa uniformização, já que cada estado possui realidades distintas.

O exemplo citado é a diferença entre o combate ao crime no Amazonas, em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Goiás. Este último é mencionado como caso de bons resultados a partir da aplicação rigorosa das leis existentes, em parceria entre governo estadual e Judiciário. Segundo o relato, a combinação entre prisões efetivas e manutenção dos criminosos na cadeia foi fundamental para reduzir índices de violência, diferentemente do que ocorre em regiões onde audiências de custódia e benefícios legais levam à rápida liberação de detidos.

Enquanto a PEC mexe na Constituição, o marco legal do combate ao crime organizado altera leis infraconstitucionais. A proposta já foi aprovada na Câmara com ampla maioria, representando uma derrota para o governo federal. O texto original do Executivo, conhecido como PL Antifacção, foi amplamente modificado pelo deputado Guilherme Derrite, que retornou ao mandato parlamentar após deixar a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O projeto aprovado aumenta penas, cria novos tipos penais e atende a uma demanda recorrente da sociedade por punições mais duras.

A população, conforme destacado na análise, não se preocupa com a natureza jurídica das propostas — se são PEC, projeto de lei ordinária ou lei complementar. A questão central para o cidadão é saber quanto tempo um criminoso ficará preso. A reincidência elevada é apontada como evidência de que o atual arcabouço legal não é suficiente para afastar criminosos perigosos do convívio social.

O tema ganhou ainda mais força após o caso registrado no fim de semana em que uma mulher teve as pernas amputadas após ser arrastada por um homem movido por ciúmes. O agressor foi preso, mas resta a dúvida sobre quanto tempo permanecerá detido. 

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