
A prisão de Nicolás Maduro e o início de um processo de transição política na Venezuela podem provocar impactos diretos no mercado internacional de petróleo e, consequentemente, no preço dos combustíveis no Brasil. O país sul-americano possui a maior reserva de petróleo do planeta, superando a Arábia Saudita, mas atualmente responde por apenas cerca de 1% da produção mundial.
A baixa produção venezuelana é resultado de anos de falta de investimentos, ausência de transparência e deterioração da infraestrutura durante o regime autoritário. Hoje, a Venezuela produz aproximadamente 1 milhão de barris por dia, número muito inferior ao potencial estimado, que já chegou a cerca de 4 milhões de barris diários em períodos anteriores.
Com a possibilidade de abertura do setor para empresas estrangeiras, principalmente norte-americanas, a produção pode aumentar de forma significativa nos próximos anos. Esse crescimento da oferta tende a pressionar o preço do barril para baixo, em um momento em que o mercado global já apresenta mais oferta do que demanda.
A redução no preço do petróleo beneficia grandes economias consumidoras, como Estados Unidos, China e países da América Latina. No Brasil, a expectativa é de que a queda do barril se reflita, ainda que de forma gradual, nos preços da gasolina e do diesel. Segundo especialistas do setor, em outros países esse repasse costuma ser mais rápido, enquanto no Brasil depende da política de preços da Petrobras e de fatores econômicos e políticos internos.
Apesar do cenário de possível alívio para o consumidor, analistas alertam que o processo não será imediato. Ainda há incertezas sobre o estado real das instalações petrolíferas venezuelanas, o volume de investimentos necessários e o tempo para que a produção volte a crescer de forma consistente.
Mesmo assim, a curto e médio prazo, a avaliação predominante é de que a mudança no comando da Venezuela tende a contribuir para a estabilidade ou queda do preço do petróleo no mercado internacional, com reflexos positivos para a economia brasileira e para o bolso do consumidor.