
O comentarista Cláudio Humberto apresentou novidades sobre a situação de Jorge Messias, ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga de Luiz Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Segundo ele, a indicação enfrenta forte resistência no Senado e se tornou um dos principais focos de tensão entre o governo e o Congresso Nacional.
De acordo com Cláudio Humberto, observou-se um aumento significativo no número de senadores hostis à indicação, seja por insatisfação com o governo Lula, seja pelo comportamento de Jorge Messias ao longo de sua gestão na AGU. O comentarista citou decisões e posicionamentos interpretados como autoritários, incluindo movimentos associados à censura, além de acenos à discussão sobre o aborto, fato que teria desagradado parte do público evangélico. Para ele, a atuação do indicado não tem contribuído para facilitar sua aprovação no Senado.
A sabatina de Messias estava marcada para o dia 10, na Comissão de Constituição e Justiça. No entanto, segundo Cláudio Humberto, o governo temia uma rejeição já na própria CCJ, cenário que permaneceria desfavorável também no plenário da Casa. A estratégia do Palácio do Planalto, afirmou, era ganhar tempo para tentar reverter votos.
O comentarista relatou que Lula enviou recados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por meio do relator escolhido para o caso, o senador Weverton Rocha. Um dos recados foi de que Lula poderia telefonar a qualquer momento para Alcolumbre; o outro, que, caso a sabatina não fosse adiada, o presidente recorreria ao Supremo Tribunal Federal para judicializar a questão. Segundo Cláudio Humberto, Alcolumbre conhece bem a influência de Lula sobre o STF e entendeu que o governo poderia conseguir o adiamento pela via judicial, se necessário.
Diante dessa pressão, Alcolumbre fez um pronunciamento criticando a demora do governo em enviar a comunicação oficial da indicação ao Senado. Ele classificou a situação como uma omissão grave do Poder Executivo e afirmou que a ausência do documento inviabilizava a leitura formal necessária para dar início ao processo, o que poderia gerar vícios regimentais. Em seguida, determinou o cancelamento do calendário da sabatina.
Cláudio Humberto avaliou que Lula atuou pessoalmente como articulador político, interferindo diretamente nos assuntos internos do Senado. Para o comentarista, o governo enfrenta dificuldades na relação com o Congresso e não dispõe de uma articulação política eficiente. Ainda assim, o presidente teria alcançado seu objetivo imediato: adiar a sabatina e ganhar tempo para tentar reverter votos contrários.
