
O Tesouro Nacional decidiu não avalizar o empréstimo de 20 bilhões de reais negociado pelos Correios com cinco bancos — Banco do Brasil, Citibank, Safra, BTG Pactual e ABC Brasil. O valor, considerado muito alto, seria o maior já avalizado na história por uma empresa pública.
Segundo o relato apresentado, o Tesouro avaliou como inadequadas as condições negociadas. O empréstimo seria contratado a uma taxa de 136% do CDI, equivalente a aproximadamente 19% ao ano, percentual muito superior ao observado em operações garantidas pelo próprio Tesouro, que costumam girar em torno de 120% do CDI — cerca de 15,7% ao ano nas taxas atuais. A avaliação foi de que, caso os Correios não conseguissem honrar o pagamento, a União arcaria com um custo muito elevado.
O histórico de operações mostra que o maior aval já concedido pelo Tesouro havia sido de 4 bilhões de reais, em 2014, à Eletrobras — valor cinco vezes menor do que o que foi solicitado pelos Correios. À época, a operação envolveu apenas o Banco do Brasil, sem participação de bancos privados.
A situação financeira da estatal agrava a preocupação. Os Correios registraram prejuízo acumulado de 6 bilhões de reais até setembro de 2025 e devem encerrar o ano com perdas entre 8 e 10 bilhões, segundo estimativas citadas no programa.