Rio de Janeiro

Carnaval 2023: Arranco do Engenho de Dentro está de volta à Sapucaí

“O carnaval carioca nasceu onde o Arranco tem as suas raízes”, afirma carnavalesco da agremiação da Zona Norte do Rio

3 min

17/01/2023 15:13 • Atualizado há 1377 dias

Carnaval 2023: Arranco do Engenho de Dentro está de volta à Sapucaí

Após dez anos sem desfilar na passarela do samba, a Arranco do Engenho de Dentro, da Zona Norte do Rio de Janeiro, está de volta a Série Ouro do carnaval carioca para contar a história de Zé Espinguela. O sambista, pai de santo, jornalista e escritor foi o responsável por criar a primeira disputa entre escolas de samba. Neste ano, ele vai ter sua trajetória contada na avenida pela agremiação, que foi a primeira a desfilar na Rua Marquês de Sapucaí, antes mesmo da construção do Sambódromo.

Continua depois da publicidade

“Ele fundou a Estação Primeira de Mangueira e plantou nesse chão a semente do carnaval que existe hoje. A gente brinca que o carnaval carioca nasceu onde o Arranco tem as suas raízes”, afirmou o carnavalesco da agremiação Antonio Gonzaga.

Na década de 50, um bloco carnavalesco do subúrbio carioca “arrancava” as pessoas de casa e levava uma multidão de foliões para pular carnaval por onde passava. O “Bloco dos Sujos”, como era chamado, se transformou na escola “Arranco do Engenho de Dentro”, em 1973. Durante a trajetória, a agremiação conquistou quatro títulos: três na Série Bronze e um na Série Ouro. No ano passado, foi a vice-campeã da Série Prata.

Homenagear Zé Espinguela na passarela do samba neste carnaval foi ideia do carnavalesco Antonio Gonzaga, que estreia este ano no posto.

Continua depois da publicidade

“Assim que eu recebi o convite do Arranco, eu pensei ‘eu acho que o Arranco precisa de um enredo que fale sobre ele. É a volta do Arranco e as pessoas precisam se conectar com a escola de alguma forma’. E aí pesquisando um pouco sobre a história da escola eu encontrei o Zé Espinguela, que é um personagem desconhecido do grande público, não só dentro do Arranco, mas do carnaval de uma maneira geral”, explicou o carnavalesco.

Zé Espinguela, figura importante na história do carnaval carioca, criou a primeira disputa entre escolas de samba em 1929. Na época, o desfile aconteceu na Rua Adolfo Bergamini, na Zona Norte do Rio, mesma rua onde está a quadra do Arranco. Zé, que também era um líder religioso, tinha um terreiro onde, atualmente, é a sede da agremiação. Para continuar na Série Ouro, a azul e branco do Engenho de Dentro, que celebra 50 anos de fundação este ano, aposta na própria história para brilhar na avenida reverenciando o legado das gerações anteriores.

Além de voltar às raízes, a escola também resolveu fazer mudanças no carnaval de 2023 e, pela primeira vez, a agremiação vai contar com uma intérprete para entoar o samba deste ano, formando uma dupla com Diego Nicolau.

“Eu acho que a gente precisa que várias outras mulheres, e eu desejo isso para os próximos anos, que a gente continue a ocupar esse espaço, e a gente tem vários nomes dentro do carnaval que conseguem dizer ‘a gente dá conta sim, a gente pode’. É um lugar pra gente equiparar, buscar mais equidade”, disse a intérprete da agremiação, Pamela Falcão.

Na quadra da azul e branco, na Rua Adolfo Bergamini, muito trabalho está sendo feito para deixar tudo pronto para o grande dia.

Continua depois da publicidade

“Tudo passa pela minha mão. As alas que tão fazendo, o coração da escola eu que tô fazendo... Tô muito feliz, muito feliz. A minha alegria, o meu coração quer é que fique em sexto, quinto. É ficar na Série Ouro”, disse a vice-presidente da escola Diná Costa.

No dia 17 de fevereiro, sexta-feira de Carnaval, primeiro dia de desfiles do carnaval 2023, a escola do Engenho de Dentro vai ser a primeira a brilhar na passarela do samba. A agremiação, que “abriu alas” antes mesmo da criação do Sambódromo, volta, este ano, para ser, novamente, a primeira a passar.

*Sob supervisão de Christiano Pinho

Carnaval 2023: Arranco do Engenho de Dentro está de volta à Sapucaí