
Jeferson ficou preso por seis dias
Alexandre Siqueira
Jeferson Pereira da Silva, 29 anos, foi solto depois de ficar preso durante seis dias por um crime que afirma que não cometeu. A vítima de um assalto que ocorreu em fevereiro de 2019 diz ter reconhecido Jeferson como o assaltante através de uma foto 3x4 de quinze anos atrás - a imagem fazia parte do registro fotográfico da Polícia Civil, mas Jeferson não tem nenhuma anotação criminal.
Motorista de aplicativo e ex-funcionário do Detran, Jeferson descobriu que estava respondendo por um inquérito oito meses depois que o processo já estava aberto. Ele foi abordado por agentes de programa Méier Presente e compareceu espontaneamente à delegacia para entender o que estava acontecendo. Desde o dia 08, ele e os familiares precisaram lidar com as dificuldades de provar a inocência do morador da Zona Norte do Rio.
"Por que a foto dele estava no álbum da Polícia se ele nunca teve nenhuma passagem? Uma foto de quanto ele só tinha 14 anos estava no registro. Nós vamos lutar para ele sair dessa, o meu irmão é inocente", desabafou Fernanda Pereira, irmã de Jeferson
Apesar do sentimento de alívio com o fim da prisão preventiva, ele não vem acompanhado de liberdade. O alvará expedido hoje ainda obriga o cumprimento de medidas cautelares, como o comparecimento de Jeferson na Justiça uma vez por mês para assinar documentos.
"Eu não sou inocente ainda, isso é apenas um alvará de soltura, todo mês eu tenho que vir aqui para assinar papéis e passar por tudo isso de novo, eu não estou livre disso ainda", lamentou Jeferson.
A desembargadora responsável pelo caso, Denise Vaccar, afirmou que Jeferson não tem antecedentes criminais e que a prisão foi fundamentada "no falho e duvidoso reconhecimento por fotografia".
Esse já é o terceiro caso de prisão equivocada por reconhecimento fotográfico em cerca de um mês no Rio de Janeiro. Além de Jeferson Pereira, Raoni Lázaro Rocha, 34, cientista de dados, e Tiago Marques de Oliveira, estoquista em uma escola, também foram presos por falhas no reconhecimento fotográfico. Como ponto comum, todos são homens negros de região periférica do Rio.
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