Um terremoto de magnitude 7.7 atingiu recentemente Mianmar, no sudeste asiático, deixando um rastro de destruição com mais de 3 mil mortos e centenas de desaparecidos. O abalo reacendeu o alerta global sobre os impactos que fenômenos extremos podem causar — especialmente em regiões com histórico sísmico.
No Japão, as autoridades já trabalham com a possibilidade de um cenário ainda mais preocupante. Um relatório do governo prevê que um megaterremoto impacte o país nos próximos anos, com potencial para causar a morte de mais de 300 mil pessoas e gerar tsunamis de grandes proporções.
Por que a preocupação se concentra justamente na Ásia?
A resposta está no Círculo de Fogo do Pacífico, uma das regiões geologicamente mais instáveis do planeta, que circunda grande parte do Oceano Pacífico e é responsável por cerca de 90% dos terremotos registrados no mundo.
“Essas placas estão em constante movimento, e o tipo de contato mais comum na região é o convergente — quando uma placa desliza por baixo da outra. É esse tipo de encontro que gera os terremotos mais fortes”, explica Bruno Collaço, sismólogo da Universidade de São Paulo (USP).
Além dos terremotos, o movimento convergente também é responsável pela intensa atividade vulcânica. “O nome ‘Círculo de Fogo’ vem justamente da grande quantidade de vulcões nessa região. A geometria do contato entre as placas permite a formação de bolsões de magma que podem dar origem a novos vulcões”, completa o especialista.
O que a internet quer saber sobre terremotos?
Com o aumento das notícias sobre o terremoto em Mianmar e os alertas do governo japonês, as buscas no Google dispararam. As principais dúvidas do público giram em torno das causas dos terremotos. Abaixo, reunimos algumas perguntas mais buscadas pelo público nos últimos dias.
Qual é a intensidade sísmica para uma magnitude de 7.7?
A magnitude 7.7 é considerada de muito forte a grande. Dependendo da profundidade e da localização do epicentro, pode causar danos à infraestrutura, deslizamento de terra e possível geração de tsunamis, se ocorrer em áreas costeiras.
Collaço ressalta que essa magnitude é equivalente a uma ruptura de uma área de 200 km, e todas as ondas sísmicas geradas se espalham pelo globo terrestre. “Imagine um bloco de 200 quilômetros de rocha se rompendo em questão de segundos. É como se duas vezes a distância entre São Paulo e Campinas se quebrasse de forma abrupta. A força gerada é descomunal.”
Por que houve o terremoto de Mianmar?
Mianmar está localizada numa das zonas tectonicamente mais ativas do planeta, na junção de quatro placas: Euroasiática, Indiana, de Sonda e de Birmânia. O encontro dessas placas gera uma tensão constante.
A energia se acumula nas falhas geológicas e, quando ultrapassa o limite de resistência das rochas, é liberada de forma abrupta — resultando em terremotos. O tremor do dia 28 de março, por exemplo, teve profundidade de apenas 10 km, o que fez com que as pessoas sentissem de forma mais intensa os efeitos na superfície.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a energia liberada foi maior do que a da bomba atômica lançada sobre Hiroshima.
Por que os terremotos acontecem?
Os terremotos são causados pelo movimento das placas tectônicas que compõem a crosta terrestre. Quando essas placas se movem, acumulam energia. Ao atingir um ponto de ruptura, essa energia é liberada sob a forma de ondas sísmicas.
