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Saúde

Bruxismo atinge 23% da população mundial durante o dia e gera dores faciais

Condição em vigília ocorre mesmo sem encostar os dentes e sobrecarrega a mandíbula

3 min

22/10/2026 10:31 • Atualizado há 2 dias

Bruxismo atinge 23% da população mundial durante o dia e gera dores faciais

Bruxismo diurno: sintomas, riscos e tratamento do hábito

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O bruxismo não se restringe às horas de sono e afeta 23% da população global enquanto está acordada, superando a taxa de 21% registrada durante a noite. Os dados constam em uma revisão publicada no periódico Journal of Clinical Medicine. O comportamento, denominado bruxismo em vigília, acontece quando a pessoa aperta os dentes ou sustenta os músculos da mastigação contraídos ao longo do dia, em atividades rotineiras no trânsito, diante do computador ou em momentos de uso do celular, frequentemente sem encostar as arcadas dentárias.

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O interesse da população sobre a condição apresenta números expressivos nos mecanismos de busca do país. Um levantamento conduzido pela Dental Speed revela que Brasília ocupa a liderança no ranking nacional proporcional de pesquisas sobre bruxismo no Google, somando cerca de 44 mil consultas no Distrito Federal entre julho de 2025 e julho de 2026. O indicador reflete a alta procura por diagnósticos e soluções contra o desconforto orofacial.

Especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, o dentista Guilherme Melão relata a mecânica fisiológica por trás desse padrão involuntário.

"Olhar apenas para o apertamento ou o ranger dos dentes deixa parte dessa história de fora. A sensação de 'mandíbula tensa' vem dos músculos que a movimentam, especialmente o masseter, na lateral do rosto, e o temporal, na região das têmporas. Eles podem permanecer contraídos mesmo sem contato entre os dentes. Quando essa contração se repete ou se prolonga, pode haver sobrecarga muscular", explica o profissional.

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A tensão contínua costuma desencadear dor nas têmporas, rigidez na face e dificuldade durante a mastigação, sintomas que se tornam mais intensos no fim da tarde.

Causas neurológicas e diferenças entre bruxismo e DTM

O surgimento do hábito decorre de alterações no sistema nervoso central, e não de irregularidades anatômicas da arcada. Fatores emocionais como estresse, quadros de ansiedade crônica e picos de concentração no trabalho elevam a atividade muscular diurna.

O especialista alerta para a necessidade de desfazer mitos consolidados no senso comum: dentes desalinhados e mordidas incorretas não provocam o bruxismo e tampouco originam a disfunção temporomandibular, conhecida como DTM.

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A distinção clínica entre os dois diagnósticos exige acompanhamento técnico. O bruxismo consiste em um comportamento puramente muscular motor, enquanto a DTM engloba distúrbios articulares e funcionais graves que envolvem a ligação da mandíbula ao crânio.

Embora o esforço contínuo dos músculos atue como fator de sobrecarga para o surgimento da disfunção em indivíduos predispostos, a evolução entre as duas condições não é automática nem obrigatória.

Diagnóstico clínico e abordagens terapêuticas

A confirmação do quadro requer consulta clínica completa para afastar outras causas de dor de cabeça ou cansaço facial. "Não podemos atribuir toda dor ao bruxismo. É preciso examinar o paciente, ouvir suas queixas e entender sua rotina", ressalta Melão.

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O tratamento não se faz necessário em todos os casos, ficando condicionado à presença de complicações funcionais, como fadiga intensa, dores constantes, quadros confirmados de DTM ou desgastes e fraturas estruturais na dentição.

O plano terapêutico adota caráter interdisciplinar e reúne dentistas, fisioterapeutas e psicólogos para restabelecer a função mastigatória e o equilíbrio emocional.

Para os episódios que se manifestam durante a vigília, o objetivo principal consiste no treinamento de percepção corporal, capacitando o indivíduo a identificar os instantes em que contrai o rosto e induzir o relaxamento imediato. "A proposta não é passar o dia fiscalizando a boca. É perceber um esforço que antes acontecia sem ser notado e procurar avaliação quando ele começa a causar desconforto ou prejuízos", detalha o dentista.

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