Busca por canetas emagrecedoras na internet alerta para risco de automedicação
Pesquisa revela que 61% dos brasileiros se informam na rede e médicos alertam para efeitos colaterais graves
O Brasil lidera o interesse por canetas emagrecedoras, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mas a dependência da internet para buscar orientações sobre o tratamento acende um alerta epidemiológico. Segundo dados da pesquisa global Monitor da Saúde 2026, realizada pela Ipsos em 32 países, 74% dos brasileiros conhecem esses medicamentos, índice expressivamente superior à média mundial de 50%.
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No entanto, as redes sociais e os buscadores online figuram como a principal fonte de conhecimento para 61% da população, superando a mídia tradicional (50%) e a consulta formal a profissionais de saúde, citada por apenas 14% dos entrevistados.
Levantamento exclusivo realizado pela Sala Digital da Band em parceria com o Google confirma que as dúvidas mais recorrentes na rede envolvem questões básicas, como formas corretas de aplicação, locais do corpo indicados e comparações sobre qual seria a melhor opção.
O hábito de buscar prescrições ou tirar dúvidas em plataformas digitais sem suporte especializado estimula a automedicação e a cópia de esquemas terapêuticos alheios. Para conscientizar o público sobre a necessidade do acompanhamento individualizado, influenciadores como Valentina Miascovsky, que eliminou 69 quilos — sendo 46 com o auxílio dos injetáveis —, utilizam a própria rotina nas redes para ressaltar que a saúde deve anteceder a estética.
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A endocrinologista Patrícia Baines Gracitelli, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, adverte que o uso indiscriminado desses fármacos acarreta sérios danos ao organismo. Entre as complicações associadas a erros de dosagem ou à ausência de triagem prévia estão a perda acentuada de massa magra, episódios severos e descontrolados de vômitos, quadros de desidratação e o desenvolvimento de condições graves, como pancreatite. Além disso, a médica reforça que cada organismo demanda um tempo específico de tratamento e que a resposta terapêutica não é homogênea entre os pacientes.
Para garantir a eficácia do tratamento e evitar o reganho de peso após a suspensão da medicação, os especialistas salientam que os análogos de GLP-1 funcionam como ferramentas complementares, e não como soluções isoladas. A adesão ao fármaco exige reeducação alimentar contínua e a prática regular de exercícios físicos para consolidar a mudança do estilo de vida.
Sem o ajuste comportamental e sem a supervisão periódica de um médico para monitorar os exames laboratoriais, os resultados obtidos com os medicamentos tornam-se passageiros e expõem o paciente a riscos desnecessários à saúde.
