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Cicatriz escondida: como a abdominoplastia aprendeu a disfarçar o umbigo

Técnicas recentes escondem a cicatriz dentro do umbigo ou criam um novo; especialista explica o que mudou

6 min

27/10/2026 15:07 • Atualizado há 1 hora

Cicatriz escondida: como a abdominoplastia aprendeu a disfarçar o umbigo

Cicatriz escondida: como a abdominoplastia aprendeu a disfarçar o umbigo

O Brasil lidera o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos estéticos, com cerca de 2,3 milhões em 2025, segundo a pesquisa global da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). A abdominoplastia está entre os cinco procedimentos mais feitos. Mas, no resultado de uma cirurgia de abdômen, o detalhe que mais chama atenção costuma ser o menor deles: o umbigo.

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Um umbigo redondo demais, raso ou cercado por uma cicatriz visível é, muitas vezes, o que faz um leigo perceber na praia que alguém passou pela cirurgia. Por isso, a evolução das técnicas nos últimos anos seguiu um caminho claro: deixar a cicatriz cada vez menos exposta.

Uma busca de 70 anos

A preocupação não é nova. Segundo artigo publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, a busca por um umbigo natural na abdominoplastia começou na década de 1950. Desde então, a técnica mais usada tem sido a transposição: o umbigo original é preservado e reposicionado na nova pele do abdômen.

Hoje, as abordagens mais recentes seguem duas linhas. Quando o umbigo original é mantido, a cicatriz passou a ser escondida dentro dele, em vez de ficar ao redor. A outra linha é a neo-onfaloplastia, em que o cirurgião cria um umbigo novo, do zero. Uma série brasileira com 401 abdominoplastias feitas com essa abordagem mostrou que cerca de 90% das pacientes que responderam à avaliação classificaram o novo umbigo como bom ou excelente.

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Não existe uma técnica única para todas as pacientes. A escolha depende da anatomia de cada uma e da experiência do cirurgião. “Cicatriz sempre vai existir. O que evoluiu foram as técnicas, para que ela fique mais interna e menos perceptível”, afirma o cirurgião plástico Caio Garcia, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“A ideia é simular o que acontece quando o cordão umbilical cai depois do nascimento. O novo umbigo passa pelo mesmo processo de cicatrização e tende a ficar mais parecido com um umbigo original”, explica Garcia, que usa a neo-onfaloplastia em sua rotina.

O que torna um umbigo natural

Segundo Garcia, o umbigo mais estético tem duas características: o chamado capuz superior, a pequena dobra de pele na parte de cima, e um desenho interno em formato de “T”. Umbigos ovalados, rasos ou com a cicatriz do lado de fora tendem a parecer artificiais.

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Para Garcia, o umbigo não deve ser o protagonista. “Quem olha um corpo bem operado precisa ver a relação entre cintura e quadril, a projeção da mama ou, no homem, do tórax. O umbigo é secundário nesse desenho, e por isso não pode chamar atenção”, diz.

Quando o umbigo original não serve

Em alguns casos, criar um novo umbigo deixa de ser opção e passa a ser necessidade, como quando há hérnia umbilical importante ou o umbigo original está muito alterado. Nas demais situações, a escolha da técnica cabe ao cirurgião.

Os riscos são os de qualquer cicatriz: espessamento (cicatriz hipertrófica), alteração de cor, pouca profundidade e inflamação, que são exceções. O formato costuma se definir por volta do terceiro mês, mas a cor avermelhada pode levar mais tempo para clarear.

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Antes de operar

Especialistas recomendam que a avaliação vá além da queixa relatada. O que a paciente descreve como gordura pode ser flacidez de pele, gordura visceral ou separação da musculatura abdominal, o que muda o planejamento. Também é recomendado pedir para ver, na consulta, fotos médicas padronizadas de casos operados com a mesma técnica.

Em entrevista, o cirurgião plástico Caio Garcia (CRM-SC 20711, RQE 18687), membro da SBCP, que atua em Itajaí (SC), explica a neo-onfaloplastia, tema que apresentará no 62º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, de 11 a 14 de novembro, em Fortaleza. Confira a entrevista.

Entrevista: Caio Garcia, cirurgião plástico

Crédito da imagem: Caio Garcia, médico cirurgião plástico, CRM-SC 20711, RQE 18687, membro da SBCP. Foto: Laíse Kohler (@laisekohlerstudio)

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Por que o umbigo denuncia a abdominoplastia?

Quando um leigo olha e percebe que a pessoa operou, seja pela cicatriz ou pelo umbigo com aquele aspecto clássico de abdominoplastia, a cirurgia não atingiu o melhor resultado possível. Hoje, a meta é um umbigo tão natural que passe despercebido. Cicatriz sempre vai existir, mas as técnicas evoluíram para que ela fique cada vez menos perceptível.

Como é um umbigo bonito?

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O umbigo, na verdade, é uma estrutura feia, e por isso não pode chamar atenção. O mais estético tem capuz superior e um desenho interno em “T”. As técnicas mais antigas, com cicatrizes externas, davam umbigos ovalados, com cicatriz visível, o que a gente chama de umbigo de botão. Eu até brinco com as pacientes: refazemos o capuz superior e peço que não coloquem piercing, porque perde qualidade estética.

O que é a neo-onfaloplastia?

É uma das técnicas que seguem essa tendência de cicatrizes menos expostas. Quem preserva o umbigo original esconde a cicatriz dentro dele; na neo-onfaloplastia, criamos um novo. Neo é novo, ônfalo é umbigo. A gente cria o umbigo do zero, com retalhos de pele, e consegue escolher a posição, o tamanho e a profundidade. Ele passa pelo mesmo processo de cicatrização que acontece quando o cordão umbilical cai no recém-nascido.

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Como a técnica entrou na sua rotina?

Há quatro ou cinco anos, faço todas as minhas abdominoplastias com neo-onfaloplastia. São cerca de 150 casos documentados. Uso a técnica Tuluá, desenvolvida na Colômbia, que além de corrigir a diástase faz uma plicatura transversa da musculatura. Nessa técnica, o novo umbigo é obrigatório.

O que o doutor vai apresentar no Congresso Brasileiro?

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Fui convidado para falar sobre a neo-onfaloplastia. O objetivo de levar a técnica ao congresso e a uma publicação é que outros cirurgiões consigam reproduzir o resultado de forma consistente. Mas a cirurgia plástica tem uma parte artística, e nem todo resultado se repete nas mãos de outra pessoa.

Quem pode fazer?

Todo paciente com indicação de abdominoplastia. A escolha da técnica é do cirurgião, e há colegas que preferem outras. Quando há hérnia umbilical importante ou o umbigo original está muito alterado, a neo-onfaloplastia passa a ser obrigatória.

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Quais são os riscos?

Os mesmos de qualquer técnica de umbigo, porque é uma cicatriz: cicatriz hipertrófica, falta de profundidade, alteração de cor e inflamação. São exceções.

Quanto tempo até o resultado final?

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O desenho estético costuma estar pronto por volta de três meses. Mas é cicatriz, e eu brinco que o terceiro e o quarto mês são um momento ingrato: o formato já está muito bom, mas a cor ainda está avermelhada. Isso tende a melhorar com o tempo.

O que a paciente deve observar na consulta?

Primeiro, o exame físico. A paciente traz o relato, mas é o exame que mostra se a queixa é gordura, flacidez, gordura visceral, que a bioimpedância identifica, ou falha da musculatura, que o ultrassom mostra na própria consulta. Depois, ver resultados em foto médica de verdade: estúdio, fundo padronizado, antes e depois nas mesmas condições. Ver muitos casos da mesma técnica ajuda a entender o que esperar, incluindo as variações.

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Conteúdo publicado mediante contratação de espaço de mídia pela Clínica Caio Garcia. Caio Garcia é médico cirurgião plástico, membro da SBCP. CRM-SC 20711 | RQE 18687. Itajaí (SC).

caiogarcia.com