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Cirurgia cardíaca robótica: Gilberto Paulozzi Jr. explica benefícios

A cirurgia cardíaca robótica tem ampliado as possibilidades de tratamento de determinadas doenças do coração por meio de incisões menores, sem a necessidade

7 min

18/10/2026 15:09 • Atualizado há 5 horas

Cirurgia cardíaca robótica: Gilberto Paulozzi Jr. explica benefícios

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

A cirurgia cardíaca robótica tem ampliado as possibilidades de tratamento de determinadas doenças do coração por meio de incisões menores, sem a necessidade de abrir completamente o osso do peito. A tecnologia integra os avanços da cirurgia minimamente invasiva e pode favorecer a recuperação de pacientes selecionados. Sua utilização, no entanto, depende de critérios clínicos específicos e não substitui os procedimentos convencionais em todas as situações.

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No Rio de Janeiro, o cirurgião cardiovascular Gilberto Paulozzi Jr. atua com diferentes abordagens cirúrgicas e ressalta que a escolha da técnica deve considerar não apenas a doença, mas também as condições gerais de saúde e os riscos envolvidos.

Embora frequentemente associadas, cirurgia robótica e cirurgia minimamente invasiva não são expressões equivalentes. A primeira utiliza uma plataforma tecnológica controlada pelo médico, enquanto a segunda compreende diferentes técnicas que permitem operar por acessos menores, inclusive sem o auxílio de equipamentos robóticos.

Como funciona a cirurgia cardíaca robótica?

Na cirurgia robótica, o cirurgião controla instrumentos articulados a partir de um console, com auxílio de imagens ampliadas do campo operatório. O robô não realiza movimentos por iniciativa própria nem substitui as decisões médicas. Seu papel é reproduzir os comandos do profissional, permitindo executar manobras delicadas em espaços reduzidos.

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Essa configuração também modifica a dinâmica do centro cirúrgico. Enquanto o médico responsável pelo console conduz parte do procedimento à distância, outro cirurgião permanece junto à mesa operatória, trabalhando de forma integrada com os demais profissionais.

“O cirurgião principal deixa de estar ao lado do paciente e passa a ser um maestro à distância, porque está no console. Você passa a dividir as responsabilidades com seu parceiro, que não é apenas um auxiliar, mas outro cirurgião que desenvolve atividades tão importantes quanto as suas”, explica Paulozzi Jr. .

Para que essa integração funcione, são necessários planejamento, treinamento específico e familiaridade da equipe com as etapas da operação. A plataforma representa um recurso técnico adicional, mas a condução do procedimento continua inteiramente sob responsabilidade dos profissionais.

Quais doenças podem ser tratadas e quando a técnica não é indicada?

Entre as aplicações da cirurgia cardíaca robótica estão determinados procedimentos para correção de alterações da válvula mitral e intervenções selecionadas de revascularização do miocárdio, utilizadas no tratamento da doença arterial coronariana.

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A válvula mitral é responsável por controlar a passagem do sangue entre duas câmaras do lado esquerdo do coração. Quando não se fecha adequadamente, pode permitir o retorno de parte do sangue, condição chamada insuficiência mitral. Em muitos pacientes, essa alteração evolui lentamente e pode permanecer sem manifestações perceptíveis durante anos.

Com a progressão da doença, podem surgir falta de ar, cansaço e redução da capacidade para atividades habituais. Entretanto, a ausência de sintomas não descarta a necessidade de acompanhamento ou, em situações específicas, de intervenção.

Paulozzi Jr. chama a atenção para uma mudança de comportamento que pode dificultar a percepção do problema.

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“O paciente passa a reduzir as suas atividades como uma forma de se proteger dos sintomas. Ele começa a sentir e reduzir as atividades como forma de mascarar. Mas sintomas como falta de ar e cansaço progressivo são sinais claros”, observa.

Quando há indicação cirúrgica, uma das possibilidades é a plastia mitral, técnica destinada a reparar a válvula e preservar sua estrutura natural. Essa alternativa pode ser considerada em determinadas alterações degenerativas e casos de prolapso valvar. Outras condições, especialmente algumas lesões de origem reumática, podem exigir substituição por uma prótese.

A cirurgia robótica também pode ser empregada em procedimentos específicos de revascularização do miocárdio, cujo objetivo é criar caminhos alternativos para o sangue alcançar regiões do coração afetadas pelo estreitamento das artérias coronárias.

Apesar dessas possibilidades, a indicação não depende somente da doença. Algumas técnicas exigem ventilação temporária de apenas um pulmão, o que pode representar risco adicional para pacientes com comprometimento respiratório importante. Alterações nas artérias femorais, calcificações extensas da aorta e determinadas cirurgias combinadas também podem limitar o uso da plataforma.

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O cirurgião relata que já precisou modificar o planejamento de um procedimento minimamente invasivo devido ao histórico intenso de tabagismo de um paciente, cuja condição poderia dificultar a estratégia de ventilação necessária durante a operação.

Em outras situações, procedimentos na válvula aórtica e na aorta ascendente podem ser realizados por abordagens menos invasivas que não utilizam o robô. A avaliação individual permite identificar qual acesso oferece a melhor relação entre benefícios e riscos, sem que a tecnologia seja considerada uma escolha obrigatória.

Benefícios, segurança e recuperação após a cirurgia

A redução do trauma provocado pelo acesso cirúrgico é uma das principais vantagens potenciais das técnicas robóticas. Em pacientes adequadamente selecionados, incisões menores podem contribuir para diminuir o desconforto pós-operatório e favorecer a retomada das atividades.

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Esses benefícios, entretanto, não devem ser confundidos com garantia de ausência de complicações ou menor mortalidade. A cirurgia convencional, frequentemente realizada por esternotomia, procedimento que envolve a abertura do osso do peito, continua sendo uma alternativa consolidada para diferentes doenças cardiovasculares.

Paulozzi Jr. destaca a necessidade de informar o paciente com transparência sobre os resultados esperados, sem atribuir à tecnologia vantagens que não estejam suficientemente demonstradas.

“Não existe nenhum dado científico que mostre diferença entre mortalidade, ou seja, desfecho duro, entre a cirurgia dita convencional ou a esternotomia, que tem um excelente e sólido resultado, em relação às cirurgias minimamente invasivas”, afirma.

A duração da internação e o tempo necessário para voltar à rotina variam conforme a complexidade da operação, as condições de saúde anteriores e a evolução individual. Mesmo com acessos menores, o organismo precisa se recuperar de uma intervenção cardíaca.

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Nos primeiros dias, é possível haver cansaço, desconforto e limitações físicas temporárias. O acompanhamento médico e a reabilitação cardíaca ajudam a orientar a retomada progressiva das atividades, respeitando as condições e os limites de cada pessoa.

Além da recuperação física, a cirurgia costuma despertar reflexões sobre hábitos de vida. Para o especialista, o desejo de mudar rapidamente precisa ser acompanhado de metas realistas.

“Depois de uma cirurgia, existe um fato muito impactante. É como se fosse um primeiro de janeiro para todos os pacientes. Eles decidem parar de fumar, tornar-se vegetarianos e atletas. Mas é importante entender que há um processo. A recuperação começa com pequenos passos, que vão fazer grande diferença no final”, observa.

A retomada de exercícios, viagens, trabalho e atividade sexual deve ocorrer conforme orientação da equipe responsável. O acompanhamento também permanece necessário após a melhora dos sintomas, especialmente para controlar fatores como hipertensão, diabetes, alterações do colesterol e tabagismo.

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O acesso à cirurgia cardíaca robótica no Brasil

Embora represente uma alternativa para determinados procedimentos cardiovasculares, a cirurgia robótica ainda enfrenta limitações de acesso. A implantação da tecnologia exige equipamentos específicos, treinamento das equipes e estrutura hospitalar compatível com a complexidade das intervenções.

No Brasil, sua disponibilidade não é uniforme. O custo dos materiais e a necessidade de capacitação profissional estão entre os obstáculos à ampliação dessa modalidade cirúrgica.

Para Paulozzi Jr. , informar a população sobre as possibilidades da cirurgia minimamente invasiva é parte importante desse processo.

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“O meu objetivo é que essa mensagem seja divulgada como uma alternativa segura para as patologias que teriam que ser abordadas. É claro que eu não tenho como oferecer isso para toda a população, porque não está disponível para todos”, afirma.

O avanço tecnológico amplia as opções da cirurgia cardiovascular, mas a definição do tratamento permanece vinculada às necessidades de cada paciente. A escolha deve considerar a indicação médica, a experiência da equipe, os recursos disponíveis e, sobretudo, a segurança do procedimento.

Quem é Gilberto Paulozzi Jr.

Natural de Franca, no interior de São Paulo, Gilberto Paulozzi Junior cresceu em um ambiente familiar marcado por valores cristãos, que, segundo ele, continuam presentes em sua maneira de compreender a vida e exercer a medicina. Formou-se em Medicina pela Faculdade Souza Marques, no Rio de Janeiro, e realizou residência em Cirurgia Cardiovascular na Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Ao longo de sua trajetória, buscou aperfeiçoamento em técnicas cirúrgicas menos invasivas, com experiências em centros internacionais, especialmente na Alemanha, e formação em cirurgia cardíaca robótica nos Estados Unidos.

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Atualmente, atua como cirurgião cardiovascular no Rio de Janeiro, integrando hospitais centrais na cidade, com atuação em procedimentos convencionais, minimamente invasivos e robóticos. Adventista desde a infância, reconhece na espiritualidade uma influência sobre sua postura profissional, especialmente diante das responsabilidades da cirurgia cardíaca. A convivência com pacientes e familiares também reforçou sua percepção sobre a importância da escuta, da confiança e do acolhimento durante o tratamento.

Fora do ambiente hospitalar, valoriza a convivência com a própria família e procura conciliar as exigências da profissão com uma presença mais próxima das pessoas que fazem parte de sua vida.

Gilberto Paulozzi Jr. | Médico | CRM-RJ 910317 | Cirurgia Cardiovascular — RQE 58712.

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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

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