Cirurgia robótica e próstata: Rafael Sant’Ana explica avanços e benefícios
Urologista aborda o uso da tecnologia em casos selecionados e esclarece cuidados, sintomas e tratamentos relacionados à

Acordar várias vezes durante a noite para urinar, perceber que o jato perdeu força ou sentir dificuldade para esvaziar completamente a bexiga são alterações que muitos homens acabam incorporando à rotina conforme envelhecem. Quando se tornam frequentes, no entanto, esses sinais podem estar associados à hiperplasia prostática benigna (HPB), caracterizada pelo crescimento não canceroso da próstata.
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A condição não significa, por si só, a existência de uma doença grave. O ponto de atenção está principalmente no impacto que esse crescimento pode exercer sobre a passagem da urina e no funcionamento da bexiga.
Segundo o urologista Rafael Xavier Sant’Ana, que atua no Sul de Santa Catarina, compreender essa diferença é importante para evitar dois comportamentos opostos: associar automaticamente uma próstata aumentada ao câncer ou considerar qualquer alteração urinária apenas uma consequência inevitável da idade.
Por que o aumento da próstata pode alterar a urina?
A próstata envolve parte da uretra, canal responsável pela eliminação da urina. À medida que aumenta de volume, pode exercer pressão sobre essa passagem. Em alguns pacientes, a resistência criada nesse trajeto dificulta o esvaziamento da bexiga e favorece o aparecimento dos sintomas.
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O crescimento da glândula não ocorre da mesma maneira em todos os homens. Rafael explica que tamanho e velocidade de evolução podem variar entre os pacientes.
“A próstata é uma glândula que cresce com o passar da idade, e esse crescimento pode acontecer de maneiras diferentes em cada indivíduo. Ela pode crescer mais, menos, de forma mais rápida ou mais lenta. Ter uma próstata grande, por si só, não é uma doença. A questão é quando esse crescimento começa a comprimir a uretra e interferir no esvaziamento da bexiga.”
Entre os sinais possíveis estão redução da força do jato urinário, fluxo interrompido, aumento da frequência das idas ao banheiro, urgência para urinar e necessidade de levantar repetidamente durante a noite. Em quadros mais importantes, também podem ocorrer retenção urinária e sangramento na urina, situações que exigem investigação imediata.
Sintomas urinários não devem ser usados para afastar câncer
Um dos principais pontos de confusão entre os pacientes é a diferença entre hiperplasia prostática benigna e câncer de próstata.
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Na HPB, o aumento da próstata pode comprimir a uretra e provocar alterações urinárias. Já o câncer pode se desenvolver sem sintomas perceptíveis, especialmente em fases iniciais. Além disso, quando manifestações urinárias aparecem, elas não permitem, isoladamente, determinar qual condição está presente.
Por essa razão, não é possível diferenciar as duas situações apenas pela intensidade do desconforto ou pela maneira como o homem está urinando.
“A maioria dos cânceres de próstata não dão sintomas nas fases iniciais. Quando eles aparecem, podem ser muito semelhantes aos da hiperplasia. Então, não podemos nos pautar apenas nisso. É necessário avaliar o paciente, considerar o PSA, o exame clínico e, diante de alterações, definir se existe necessidade de continuar a investigação.”
A avaliação médica permite reunir informações como sintomas, idade, histórico familiar e resultados de exames. A partir desse conjunto, a conduta pode ser definida individualmente.
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A atenção ao tempo de evolução também é importante. Segundo Rafael, quando existe uma obstrução significativa por um período prolongado, a própria bexiga pode sofrer consequências pelo esforço necessário para vencer aquela resistência.
“A bexiga precisa fazer mais força para conseguir vencer a obstrução e, ao longo do tempo, sua musculatura pode ser danificada. Quando a intervenção acontece muito tardiamente, há situações em que essa função não se recupera completamente. Por isso, existe um momento adequado para intervir cirurgicamente.”
Isso não significa que qualquer sintoma levará a uma intervenção. A avaliação serve justamente para estabelecer a gravidade do quadro, acompanhar sua evolução e identificar quando uma abordagem terapêutica cirúrgica passa a ser necessária.
Tratamento da hiperplasia depende de cada paciente
O diagnóstico de hiperplasia prostática benigna não leva automaticamente à cirurgia. A escolha do tratamento considera intensidade dos sintomas, repercussões sobre o sistema urinário, características da próstata e presença de eventuais complicações.
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Na prática, medicamentos costumam estar entre as possibilidades iniciais para pacientes que apresentam sintomas e não têm indicação imediata de procedimento. Conforme o quadro, também podem ser considerados tratamentos minimamente invasivos ou diferentes técnicas cirúrgicas.
A existência de diversas alternativas ampliou as possibilidades de individualização, mas não elimina a necessidade de uma indicação criteriosa. Uma técnica menos invasiva ou mais recente não é, necessariamente, a melhor opção para todos os pacientes.
“Na grande maioria das vezes, tentamos inicialmente o tratamento medicamentoso. Mas, quando o paciente já chega com sinais de complicação, muitas vezes não é seguro manter apenas essa estratégia. Hoje temos desde tratamentos minimamente invasivos até procedimentos cirúrgicos tradicionais e técnicas mais complexas. É preciso entender em qual cenário cada paciente se encontra.”
O momento da intervenção também entra nessa decisão. Adiar indefinidamente um tratamento indicado pode permitir a progressão das alterações do trato urinário, enquanto realizar um procedimento sem necessidade expõe o paciente a uma intervenção e riscos que poderiam ser evitados. A escolha, portanto, depende do equilíbrio entre sintomas, riscos e benefícios esperados para cada caso.
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Cirurgia robótica amplia recursos da urologia no Sul de Santa Catarina
A incorporação de novas tecnologias também vem modificando a prática cirúrgica da urologia na região. Em setembro de 2026, Rafael realizou a primeira cirurgia com plataforma robótica Da Vinci no Sul de Santa Catarina, em um paciente com câncer de próstata.
O procedimento marcou o início da utilização desse tipo de tecnologia na região e integra uma frente distinta do tratamento de doenças, principalmente, oncológicas. Na cirurgia robótica, os braços do robô são comandados pelo cirurgião e oferecem recursos que podem favorecer visualização, precisão dos movimentos e identificação de estruturas anatômicas durante determinados procedimentos.
Rafael já havia tido contato com a cirurgia robótica durante sua formação e, com a chegada da tecnologia ao Sul catarinense, buscou certificação específica e aprofundamento na área.
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“Eu me apaixonei pela plataforma robótica. É uma tecnologia que amplia muito a visualização, a qualidade de imagem e a identificação das estruturas. Tecnicamente, isso facilita a precisão cirúrgica e pode contribuir para maior segurança do paciente, menores complicações e preservação de estruturas importantes, sempre de acordo com a indicação de cada caso.”
Segundo o urologista, a cirurgia realizada em setembro também representou um momento importante em sua trajetória profissional. O procedimento mobilizou uma equipe multidisciplinar e marcou o início de um novo programa cirúrgico na região.
“Havia uma expectativa grande em torno daquele primeiro procedimento, porque nenhum programa quer começar de forma inadequada. Existia uma equipe muito ampla envolvida, com profissionais de diferentes áreas, e eu me senti extremamente honrado pela oportunidade. Acima de tudo, a responsabilidade era entregar o melhor resultado e cuidado possível ao paciente.”
A cirurgia robótica, no entanto, não substitui todas as técnicas cirúrgicas. Assim como ocorre em outros tratamentos urológicos, a escolha depende do diagnóstico correto, das características do paciente e da avaliação clínica individual.
Tabus ainda podem atrasar o cuidado com a saúde masculina
Se os sintomas são físicos, parte da dificuldade para chegar ao diagnóstico é comportamental. Rafael observa que muitos homens, principalmente idosos, ainda resistem a procurar acompanhamento preventivo e chegam ao consultório somente quando o desconforto começa a interferir de forma importante na rotina.
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Questões relacionadas à próstata também podem envolver receios sobre exames, procedimentos, incontinência e sexualidade. Nesse cenário, familiares frequentemente desempenham um papel relevante. Na experiência do urologista, esposas e filhas muitas vezes incentivam a procura por atendimento.
Esse contexto faz da comunicação uma parte importante do cuidado. Rafael afirma que procura adaptar a maneira de explicar o diagnóstico e as possibilidades terapêuticas ao perfil de cada paciente, principalmente quando medo e desinformação interferem na decisão.
Para ele, romper essa resistência começa quando o homem passa a assumir um papel mais ativo no acompanhamento da própria saúde.
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“O maior interessado na sua própria saúde deveria ser você mesmo. Busque um médico de confiança, com quem consiga conversar abertamente, exponha os seus problemas e mantenha o acompanhamento. Muitas condições têm melhores possibilidades de abordagem quando identificadas mais cedo. O meu recado para os homens é: importe-se com a sua saúde.”
O objetivo não é transformar qualquer mudança urinária em motivo de alarme, mas evitar que sintomas persistentes sejam simplesmente naturalizados. Identificar a causa permite diferenciar alterações que podem ser acompanhadas daquelas que exigem tratamento e definir a conduta de acordo com as necessidades de cada paciente.
Quem é Rafael Xavier Sant’Ana
Rafael Xavier Sant’Ana é natural de Caçador, em Santa Catarina, e cresceu em Imbituba, cidade para onde se mudou ainda na primeira infância e à qual retornou depois de concluir sua formação médica.
Graduou-se em Medicina pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), em Canoas, no Rio Grande do Sul, em 2014. Após a faculdade, atuou durante um ano como médico no serviço militar, em Porto Alegre. Na sequência, realizou residência em Cirurgia Geral no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, e seguiu para o Rio de Janeiro, onde fez residência em Urologia no Hospital Federal de Bonsucesso. Concluiu essa etapa em 2021 e retornou a Santa Catarina para desenvolver sua atuação profissional.
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Atualmente, trabalha no Sul catarinense com atividades clínicas e cirúrgicas em Urologia. Sua rotina inclui o atendimento de condições relacionadas à próstata, ao trato urinário e à saúde masculina, além da atuação em procedimentos cirúrgicos. Com a chegada da cirurgia robótica à região, passou também a investir em formação voltada à uro-oncologia e ao uso da plataforma robótica.
No atendimento, Rafael afirma buscar uma comunicação adaptada a diferentes idades e realidades, especialmente diante de assuntos que ainda despertam constrangimento entre os homens. Para ele, compreender quem está diante do médico, esclarecer dúvidas com linguagem acessível e estabelecer confiança fazem parte do processo de cuidado.
Rafael Xavier Sant’Ana — Urologista — CRM-SC 21.363 | RQE 20.173 instagram: @dr.rafaelsantana.urologista
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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

