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Saúde

Coçar os olhos agrava ceratocone e pode levar a transplante de córnea

Especialista alerta que o hábito mecânico enfraquece a estrutura ocular e atinge com mais frequência crianças

3 min

22/10/2026 08:16 • Atualizado há 10 horas

Coçar os olhos agrava ceratocone e pode levar a transplante de córnea

coçar os olhos prejudica a visão? Entenda riscos

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O hábito frequente e intenso de esfregar a região dos olhos representa o principal fator de risco mecânico para o desenvolvimento e o agravamento do ceratocone. O alerta parte do médico oftalmologista Gustavo Bonfadini, que aponta os danos diretos provocados pelo atrito contínuo sobre a córnea, camada transparente localizada na parte frontal do globo ocular.

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"Coçar os olhos pode parecer um hábito inofensivo, mas, quando realizado de maneira frequente e intensa, pode provocar consequências importantes para a saúde ocular, especialmente para a córnea", explica o médico. O especialista ressalta que a pressão contínua gera microtraumas e lesões estruturais, acelerando a perda visual e elevando a gravidade do quadro clínico.

"Existe uma associação importante entre o hábito de coçar os olhos e o desenvolvimento ou a progressão do ceratocone, especialmente em pessoas geneticamente predispostas", complementa.

A patologia se caracteriza pelo afinamento progressivo e pela deformação da córnea, que adquire formato irregular e cônico. Pacientes com predisposição genética sofrem os maiores impactos desse trauma repetitivo.

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Em estágios mais avançados, o enfraquecimento corneal inviabiliza a correção visual apenas com o uso de óculos convencionais, demandando intervenções cirúrgicas de alta complexidade ou transplante de tecido.

"Costumo alertar meus pacientes que coçar os olhos não é apenas um hábito ruim: em pessoas predispostas, pode contribuir para uma perda visual importante e, em casos avançados, até para a necessidade de um transplante de córnea", adverte Bonfadini.

Sinais de alerta e riscos para crianças

A coceira ocular pontual decorre do contato com poeira, poluentes ou alterações no clima, mas a persistência do sintoma exige investigação especializada imediata.

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Os indicativos clínicos mais comuns de comprometimento corneal incluem vermelhidão contínua, lacrimejamento excessivo, sensação de areia sob as pálpebras, fotofobia e aumento rápido no grau de astigmatismo. Pacientes jovens costumam descobrir a doença durante consultas motivadas por trocas frequentes de lentes e visão embaçada.

Crianças e adolescentes compõem o grupo de maior vulnerabilidade, pois apresentam córneas mais maleáveis e encontram dificuldade em controlar o impulso de esfregar as pálpebras. Crises de conjuntivite alérgica intensificam os episódios de coceira, inclusive durante o sono.

"A conjuntivite alérgica provoca coceira intensa e, muitas vezes, leva a pessoa a esfregar os olhos repetidamente, inclusive durante o sono ou de maneira inconsciente", afirma o médico.

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O especialista orienta atenção redobrada dos familiares no dia a dia: "Minha principal orientação aos pais é observar se a criança esfrega os olhos com frequência, aproxima muito os objetos do rosto, apresenta dificuldade para enxergar na escola ou necessita trocar os óculos repetidamente".

Diagnóstico precoce e alternativas seguras

A identificação prévia do ceratocone ocorre por meio de exames de imagem diagnóstica, como a topografia e a tomografia da córnea com Pentacam, capazes de detectar distorções estruturais antes de perdas visuais severas.

Diante da constatação da progressão, os recursos médicos incluem o crosslinking corneano, técnica que combina riboflavina e luz ultravioleta para aumentar a rigidez da córnea, além do implante de anéis intracorneanos para estabilização tecidual.

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Para aliviar a coceira sem aplicar força sobre os olhos, a recomendação envolve o uso de compressas frias sobre as pálpebras fechadas, colírios lubrificantes e antialérgicos específicos sob prescrição médica conjunta de oftalmologistas e alergologistas. A automedicação com fórmulas à base de corticoides deve ser evitada, devido ao risco comprovado de elevação da pressão intraocular e desenvolvimento de glaucoma.

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