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Como a evolução da Física Médica está transformando a radioterapia

O tratamento do câncer passou por profundas transformações nas últimas décadas. Na radioterapia, equipamentos mais sofisticados e técnicas capazes de

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21/09/2026 19:00 • Atualizado há 14 horas

Como a evolução da Física Médica está transformando a radioterapia

O tratamento do câncer passou por profundas transformações nas últimas décadas. Na radioterapia, equipamentos mais sofisticados e técnicas capazes de direcionar a radiação com maior precisão ampliaram as possibilidades terapêuticas e trouxeram novos desafios para os serviços de saúde. Por trás desse processo está uma área que nem sempre aparece para o paciente, mas ocupa papel fundamental no funcionamento da radioterapia: a Física Médica.

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O físico médico atua na interface entre a física, a tecnologia e a medicina. Na radioterapia, sua participação envolve desde a implementação e o controle de equipamentos até aspectos relacionados ao planejamento e à segurança dos tratamentos. A evolução tecnológica da área exige profissionais preparados não apenas para operar sistemas cada vez mais complexos, mas também para avaliar como essas ferramentas podem ser incorporadas à prática clínica.

No Brasil, esse processo ganhou novos capítulos com a expansão de técnicas de tratamento e a modernização de centros especializados. A implementação de novos equipamentos, por exemplo, não significa apenas substituir uma máquina por outra. É necessário desenvolver protocolos, capacitar equipes, estabelecer procedimentos de controle e garantir que a tecnologia seja utilizada de acordo com critérios técnicos e clínicos.

Uma trajetória profissional que acompanha parte desse processo é a da física médica Gabriela Reis dos Santos de Jesus. Formada na primeira turma de Física Médica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela iniciou a carreira em um momento de consolidação da área no país e posteriormente passou a atuar em projetos relacionados à modernização da radioterapia.

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Após sua especialização em Radioterapia, Gabriela integrou equipes ligadas à Universidade de São Paulo (USP), participando da modernização tecnológica do Hospital das Clínicas e da implementação do Serviço de Radioterapia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP). O serviço foi estruturado para atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e se tornou, segundo sua trajetória profissional, o maior serviço de radioterapia da América Latina.

A tecnologia por trás do tratamento

A radioterapia moderna permite que a aplicação da radiação seja cada vez mais planejada de acordo com as características de cada tratamento. Técnicas estereotáxicas, por exemplo, possibilitam administrar doses elevadas de radiação de maneira altamente direcionada, reduzindo a exposição de tecidos que não são o alvo do tratamento.

No desenvolvimento desses serviços, o trabalho do físico médico está diretamente relacionado à implementação tecnológica. Durante sua passagem pela USP, Gabriela participou da implementação de nove novos equipamentos de radioterapia. O número ganha relevância diante do intervalo informado em sua trajetória profissional para substituição desses equipamentos no Brasil, estimado entre 15 e 20 anos.

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A experiência também esteve relacionada à adoção de técnicas consideradas pioneiras no sistema público brasileiro. Em 2008, foi realizada a primeira SRS de crânio no SUS, enquanto a primeira SBRT de pulmão na rede pública também aparece entre os marcos associados à sua atuação.

Essas tecnologias exigem uma cadeia de profissionais especializados. O equipamento é apenas uma parte do processo. Física médica, medicina, enfermagem, engenharia clínica e outras áreas precisam trabalhar de maneira integrada para que a tecnologia seja convertida em um tratamento seguro e adequado ao paciente.

Pesquisa que chega à prática clínica

Outro aspecto importante da evolução da radioterapia é a aproximação entre pesquisa e assistência. O avanço tecnológico não depende apenas da aquisição de equipamentos, mas também da capacidade de avaliar cientificamente sua utilização e adaptar protocolos à realidade clínica.

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A trajetória de Gabriela também passou por esse caminho. Durante o período em que atuou na USP, ela desenvolveu sua pesquisa de doutorado, que posteriormente embasou mudanças em protocolos clínicos da instituição. Entre elas esteve o uso de correção de heterogeneidade, seguindo recomendações internacionais.

A formação de profissionais é outro componente desse processo. Ao longo de nove anos, Gabriela participou do treinamento prático e teórico de pelo menos 28 físicos médicos e 30 médicos que passaram pela instituição. A transmissão desse conhecimento é particularmente relevante em uma área na qual a incorporação de novas tecnologias depende da qualificação das equipes.

A experiência também se estendeu à rede privada. Na Rede D'Or, Gabriela participou da implementação da unidade de CyberKnife, tecnologia de radioterapia robótica, e de Tomoterapia, modalidade de radioterapia helicoidal, em um período de expansão dessas tecnologias no país.

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Um campo que exige atualização constante

A evolução da radioterapia mostra como o tratamento do câncer deixou de depender exclusivamente da disponibilidade de equipamentos. A complexidade dos sistemas atuais exige conhecimento especializado, pesquisa, treinamento contínuo e integração entre diferentes áreas.

Nesse cenário, a Física Médica ganhou espaço justamente por conectar o desenvolvimento tecnológico à aplicação clínica. A atuação de profissionais como Gabriela ajuda a ilustrar essa transformação: sua carreira reúne participação em projetos de modernização, implementação de técnicas, pesquisa, formação de profissionais e atuação institucional.

Ela também participou da Associação Brasileira de Física Médica, inclusive como integrante do Conselho Diretivo, tendo sido eleita para três gestões.

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Mais do que acompanhar a chegada de novas máquinas aos hospitais, a evolução da radioterapia representa uma mudança na própria forma de pensar o tratamento. A tecnologia precisa estar associada a conhecimento, protocolos, treinamento e avaliação científica. É nessa combinação que a inovação deixa de ser apenas uma novidade tecnológica e passa a fazer parte da assistência ao paciente.

Autor: Vinícius Alonso