Congelamento de óvulos: Dr. Gustavo André explica quando considerar
Ginecologista e obstetra detalha como idade, reserva ovariana e planejamento reprodutivo influenciam a decisão.

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
O congelamento de óvulos passou a ocupar mais espaço nas discussões sobre planejamento reprodutivo. A possibilidade interessa tanto a mulheres que pretendem adiar a maternidade por razões pessoais quanto àquelas que, diante de determinadas condições de saúde ou tratamentos médicos, precisam avaliar formas de preservar a fertilidade.
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A decisão, porém, envolve mais do que estabelecer uma idade limite. Reserva ovariana, histórico clínico, resposta dos ovários e projeto reprodutivo interferem na orientação e precisam ser considerados de maneira individualizada.
O Dr. Gustavo Mendonça André, médico que atua com reprodução humana em Sorocaba, no interior de São Paulo, destaca que um dos primeiros cuidados é compreender exatamente o alcance do procedimento. Congelar óvulos não interrompe o envelhecimento do organismo nem representa uma garantia de gravidez no futuro.
“Se uma mulher congelar os óvulos aos 35 anos e precisa utilizá-los aos 41, ela terá para aquele tratamento os óvulos preservados aos 35. Do ponto de vista emocional, isso também pode trazer uma sensação de segurança e dar a essa mulher mais liberdade para organizar suas escolhas.”
Caso sejam necessários no futuro, os óvulos armazenados deverão ser utilizados em um processo de fertilização in vitro. Algumas mulheres, por outro lado, poderão engravidar espontaneamente e jamais precisar recorrer ao material preservado.
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Idade e reserva ovariana ajudam a orientar o planejamento
A idade feminina tem papel importante no planejamento reprodutivo porque o estoque de óvulos diminui ao longo da vida e o potencial reprodutivo também sofre alterações com o passar dos anos.
Isso significa que mulheres com idades próximas podem apresentar condições ovarianas bastante diferentes. Por essa razão, a avaliação não deve considerar apenas a idade cronológica.
Embora cada caso exija análise própria, Gustavo aponta os 35 anos como uma referência importante quando se discute a preservação eletiva.
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“Tudo na medicina precisa ser individualizado, mas, como uma referência geral, o ideal é discutir essa possibilidade antes dos 35 anos. A mulher nasce com a quantidade de óvulos que terá ao longo da vida e esse estoque vai diminuindo. Por isso, conhecer a própria realidade reprodutiva mais cedo permite um planejamento mais consciente.”
Casos de mulheres que engravidam naturalmente em idades mais avançadas podem contribuir para uma percepção distorcida sobre fertilidade. Experiências individuais não permitem prever o que acontecerá com outras mulheres da mesma faixa etária.
“Quando uma mulher conhecida engravida aos 45 anos, por exemplo, isso pode fazer alguém com 42 pensar que terá a mesma facilidade. O problema é transformar uma exceção em referência. A medicina precisa mostrar as possibilidades, mas também apresentar com clareza as limitações que surgem com o avanço da idade.”
Nesse planejamento, a reserva ovariana oferece outra informação relevante. O termo se refere à estimativa do estoque de óvulos presente nos ovários e pode ajudar a identificar mulheres que apresentam uma quantidade abaixo, dentro ou acima do esperado para determinado momento da vida.
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A reserva, entretanto, não funciona como um teste capaz de determinar isoladamente se alguém conseguirá engravidar. Uma mulher pode, inclusive, manter ciclos menstruais regulares mesmo apresentando reserva reduzida.
“Quando avaliamos a reserva ovariana, buscamos compreender onde aquela paciente está em relação ao esperado para sua idade. Uma mulher de 34 anos pode ter uma reserva muito boa, enquanto outra, também aos 34, pode apresentar um estoque menor e precisar de uma orientação diferente. Essa informação serve para individualizar a decisão.”
Outra dúvida frequente diz respeito ao anticoncepcional. O uso do método não interrompe o processo natural de redução da reserva ovariana nem funciona como uma forma de guardar óvulos para o futuro.
“Algumas mulheres têm a sensação de que, enquanto usam anticoncepcional, estão preservando seus óvulos. Não estão. O anticoncepcional tem suas indicações, mas não protege a reserva ovariana dessa maneira. Essa falsa sensação de segurança pode, inclusive, fazer com que algumas pacientes demorem mais para pensar na própria fertilidade.”
Em mulheres que utilizam contraceptivos hormonais, a estratégia para avaliar determinados parâmetros da função ovariana deve ser estabelecida pelo profissional responsável, de acordo com cada situação.
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Como funciona o congelamento de óvulos
Após a avaliação clínica e a realização dos exames necessários, a paciente pode iniciar a estimulação ovariana. Nessa etapa, medicamentos hormonais são utilizados durante alguns dias para favorecer o desenvolvimento de múltiplos folículos.
Ultrassonografias transvaginais acompanham a resposta dos ovários ao tratamento. O monitoramento permite observar o desenvolvimento folicular, ajustar medicações quando necessário e estabelecer o momento adequado para a coleta dos óvulos.
“É um processo relativamente rápido. Durante a estimulação, fazemos ultrassons para acompanhar o crescimento dos folículos e entender como aquela mulher está respondendo. No momento adequado, utilizamos uma medicação para completar a maturação e programamos a coleta cerca de 36 horas depois.”
A retirada é realizada com sedação. Por meio de uma agulha guiada por ultrassonografia transvaginal, o conteúdo dos folículos é aspirado e encaminhado ao laboratório. Os óvulos considerados adequados podem, então, ser preparados para o congelamento.
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A quantidade obtida varia conforme a idade, a reserva ovariana e a resposta individual ao estímulo. Algumas mulheres alcançam uma quantidade considerada adequada em um único ciclo, enquanto outras podem precisar repetir a estimulação.
Esse é também o motivo pelo qual não existe um número de óvulos que possa ser apresentado como garantia de maternidade.
O planejamento precisa considerar ainda os desejos futuros da paciente.
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“Uma pergunta que fazemos é quantos filhos aquela mulher imagina ter. Quem deseja dois ou três filhos precisa pensar no planejamento de maneira diferente de quem pretende ter apenas um. O congelamento não pode ser analisado apenas como um procedimento do presente; ele precisa fazer sentido dentro do projeto reprodutivo daquela mulher.”
Preservação também pode ser indicada por questões de saúde
Embora o congelamento eletivo tenha se tornado mais conhecido, existem situações em que a preservação da fertilidade é discutida em razão de uma condição médica.
Uma delas ocorre antes de determinados tratamentos contra o câncer que podem comprometer a função dos ovários. Nesses casos, a possibilidade de preservação deve ser avaliada em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento oncológico, respeitando a condição clínica e a prioridade terapêutica da paciente.
“Quando recebemos uma paciente com diagnóstico de câncer e existe risco de o tratamento comprometer a função ovariana, precisamos trabalhar em conjunto com o oncologista. Como a estimulação pode ser realizada em um período relativamente curto, há situações em que conseguimos preservar os óvulos sem interferir no planejamento do tratamento principal.”
Algumas mulheres com endometriose que passarão por cirurgias envolvendo os ovários também podem discutir previamente a preservação da fertilidade. A indicação depende da extensão da doença, da cirurgia proposta, da idade e das características reprodutivas de cada paciente.
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O avanço das técnicas laboratoriais ampliou as possibilidades nessa área. A vitrificação, método utilizado para o congelamento ultrarrápido dos óvulos, representou uma mudança importante em relação às técnicas de congelamento lento utilizadas anteriormente.
A tecnologia continua evoluindo. Ferramentas de inteligência artificial, por exemplo, começam a ser estudadas e incorporadas como apoio à análise das características dos óvulos.
“A vitrificação mudou de maneira significativa a preservação dos óvulos e tornou o processo laboratorial muito mais eficiente. Agora começamos a observar outras tecnologias, inclusive inteligência artificial, que podem ajudar na análise do material armazenado e tornar a avaliação cada vez mais individualizada.”
Esses recursos, no entanto, não eliminam as variáveis biológicas envolvidas na reprodução nem permitem prever com certeza o resultado de um tratamento futuro.
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Mais informação, menos medo sobre fertilidade
A popularização do congelamento de óvulos também trouxe um desafio: fazer com que informação e planejamento não se transformem em pressão sobre as mulheres.
Nas redes sociais, relatos de gravidez tardia convivem com conteúdos que enfatizam excessivamente a queda da fertilidade. Entre um extremo e outro, surgem dúvidas, comparações e ansiedade.
No consultório, Gustavo identifica medo e insegurança entre sentimentos frequentes de quem começa a olhar para a própria saúde reprodutiva.
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“As mulheres estão mais conscientes, e a divulgação de informação teve um papel importante nisso. Ao mesmo tempo, a rede social também pode produzir um certo terrorismo quando uma situação particular é tratada como regra. Informação de qualidade deve permitir que a mulher conheça suas possibilidades sem fazer com que ela tome decisões movida apenas pelo medo.”
Por isso, o congelamento de óvulos não deve ser tratado como obrigação para toda mulher que pretende adiar a maternidade, tampouco como uma garantia para o futuro. É uma ferramenta da medicina reprodutiva que pode ser considerada após avaliação individual, levando em conta idade, reserva ovariana, histórico de saúde e planos pessoais.
Quem é Dr. Gustavo Mendonça André
A medicina entrou cedo no horizonte de Gustavo Mendonça André, que cresceu acompanhado pelo exemplo profissional do pai, também médico. Depois de passar a infância em Registro (SP) e parte da juventude na capital paulista, mudou-se para Sorocaba para estudar Medicina na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Foi na própria instituição que realizou a residência em Ginecologia e Obstetrícia e manteve, desde então, uma relação contínua com a vida universitária.
O interesse pela ginecologia endócrina e pelos aspectos hormonais da saúde feminina o aproximou da reprodução humana. Paralelamente à prática médica, aprofundou a formação acadêmica com mestrado e doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC, em trabalhos ligados à sua área de atuação. A docência permaneceu como parte importante dessa trajetória: atualmente, é professor da PUC-SP e participa da formação de novos profissionais.
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Em Sorocaba, tornou-se também um dos sócios da estrutura que deu origem à Clínica Reproduce e ao centro de reprodução humana mantido na cidade, onde atua com investigação da infertilidade, reprodução assistida e preservação da fertilidade.
Com os anos de prática, Gustavo afirma ter modificado também a forma de conduzir o atendimento. A experiência, segundo ele, permitiu equilibrar o conhecimento técnico com uma comunicação mais ajustada às necessidades de cada paciente: algumas querem compreender detalhadamente cada etapa do tratamento; outras preferem receber apenas as informações essenciais para tomar suas decisões. Essa capacidade de perceber quem está diante dele tornou-se, em sua visão, parte importante do próprio cuidado.
Dr. Gustavo Mendonça André — CRM-SP 117.125 — RQE 27.136 — Ginecologista e Obstetra
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Instagram: @drgustavoandreSite: https://drgustavoandre.com.br

