Cortes nas mãos podem esconder lesões graves, explica Thiago Camargo
Cirurgião da mão alerta para lesões de nervos e tendões que passam despercebidas e comprometem movimento e sensibilidade

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS
Um pequeno acidente doméstico, como um corte ao manusear uma faca ou um vidro quebrado, pode provocar consequências que não são percebidas imediatamente. Embora o ferimento pareça superficial, estruturas fundamentais para o funcionamento das mãos podem ser atingidas, comprometendo movimentos, sensibilidade e até a capacidade de realizar tarefas cotidianas.
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O risco está relacionado à própria anatomia das mãos, que concentram nervos, tendões e vasos sanguíneos em espaços reduzidos. Em determinadas regiões, essas estruturas ficam muito próximas da superfície da pele, tornando possível que ferimentos de pequena extensão provoquem lesões importantes.
Para o médico Thiago Trindade Camargo, especialista em Ortopedia e Traumatologia e Cirurgia da Mão, com atuação em Itajaí, Balneário Camboriú e região, no litoral de Santa Catarina, um dos principais desafios é reconhecer comprometimentos que não apresentam sinais evidentes logo após o acidente.
“São normalmente traumas pouco dolorosos, muitas vezes negligenciados como cortes simples na pele, que vão cicatrizar sozinhos. Porém, na mão, estruturas como nervos, tendões e vasos sanguíneos são muito superficiais, principalmente nas regiões próximas aos dedos, e estão suscetíveis a lesões”, explica.
A ausência de dor intensa, portanto, não é suficiente para descartar a gravidade de um corte. Dependendo da região atingida, alterações funcionais podem surgir mesmo quando a lesão externa parece pequena.
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Perda de sensibilidade e dificuldade de movimento: quais são os sinais?
Uma das consequências possíveis de um ferimento é o comprometimento dos nervos responsáveis pela sensibilidade. Além de permitir reconhecer texturas e objetos, essa função protege o organismo de situações perigosas, como o contato com superfícies quentes ou materiais cortantes.
Quando há perda da chamada sensibilidade protetora, a pessoa pode deixar de perceber estímulos que normalmente provocariam uma reação imediata. O especialista exemplifica esse risco com uma situação comum na cozinha.
“Se você encosta o dedo na borda de uma panela quente e tem a sensibilidade preservada, a primeira reação é retirar a mão. Quando existe uma lesão no nervo, essa resposta pode não acontecer. A pessoa pode acabar percebendo a queimadura pelo cheiro, sem ter sentido o calor”, esclarece.
Outras lesões afetam a sensibilidade fina, necessária para reconhecer pequenos objetos e realizar atividades que exigem precisão. Nesses casos, tarefas como escrever, bordar, costurar ou manipular instrumentos delicados podem se tornar difíceis.
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Já o comprometimento dos tendões costuma apresentar manifestações diferentes. Como essas estruturas participam da movimentação dos dedos, uma lesão pode provocar dificuldade ou incapacidade de dobrar ou estender determinadas articulações.
Camargo observa que a perda de movimento geralmente leva o paciente a procurar atendimento mais rapidamente. Nas lesões nervosas, porém, a demora pode representar um obstáculo adicional, pois algumas situações deixam de permitir o reparo direto da estrutura atingida.
A avaliação médica é especialmente importante quando um corte provoca perda de sensibilidade, dificuldade para movimentar os dedos, alteração da circulação ou outros sinais de comprometimento funcional. Mesmo sem essas manifestações, um ferimento profundo pode exigir investigação.
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Primeiros cuidados e os riscos de infecção
Após um acidente, a proteção do ferimento e a prevenção da contaminação são prioridades. Lesões que rompem a pele facilitam a entrada de microrganismos, e uma infecção pode comprometer a recuperação, especialmente quando existem danos mais profundos.
Entre os cuidados iniciais estão a proteção do local com um curativo limpo e a busca por avaliação médica quando houver suspeita de lesão de nervos, tendões ou vasos sanguíneos. Caso exista sangramento, a compressão direta com material limpo pode ajudar a controlá-lo. Ferimentos graves, sangramento que não cessa ou sinais de circulação comprometida exigem atendimento de urgência.
Segundo o cirurgião, as infecções representam uma das complicações mais preocupantes no tratamento ortopédico, principalmente em acidentes com grande exposição dos tecidos.
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“O maior temor que temos na ortopedia e na cirurgia da mão é a infecção bacteriana, tanto em procedimentos que envolvem materiais metálicos quanto em lesões sem esses materiais. No primeiro atendimento, tudo o que puder ser feito para diminuir a possibilidade de infecção do paciente deve ser prioridade”, afirma.
Em ambiente hospitalar, a conduta pode incluir limpeza adequada da lesão, avaliação das estruturas internas, medicamentos conforme indicação clínica e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos.
O tratamento depende da extensão do ferimento, das condições dos tecidos e do risco de contaminação. A definição deve ser individualizada, pois lesões aparentemente semelhantes podem exigir abordagens diferentes.
Microcirurgia e reconstrução: o que determina as possibilidades de tratamento?
Nos acidentes mais graves, especialmente quando ocorrem amputações ou lesões extensas, a microcirurgia pode ser utilizada para reconstruir estruturas delicadas e, em situações selecionadas, tentar preservar partes dos membros.
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A técnica emprega microscópios cirúrgicos e instrumentos de precisão para permitir intervenções em vasos sanguíneos e nervos de pequenas dimensões. Também pode participar de procedimentos reconstrutivos que utilizam tecidos retirados de outras regiões do corpo para reparar áreas comprometidas.
Entretanto, nem toda amputação apresenta condições para reimplante. O tempo decorrido desde o acidente, a conservação da parte amputada, a contaminação e, principalmente, as características do trauma influenciam a avaliação médica.
“Os maiores limites que temos para o reimplante são o tempo, a contaminação e o tipo do trauma. Considero o tipo de trauma um dos fatores mais importantes, porque muitas lesões são provocadas por máquinas e serras circulares. Esses equipamentos não apenas cortam, mas também retiram uma parte do tecido, o que dificulta a reconstrução”, explica Camargo.
A evolução dos microscópios, dos materiais de fixação e dos recursos utilizados durante a recuperação ampliou o suporte disponível para esses procedimentos. Ainda assim, o médico ressalta que a microcirurgia exige treinamento intenso, precisão manual e conhecimento das limitações de cada caso.
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Mesmo quando o procedimento é tecnicamente viável, a recuperação dos movimentos e da sensibilidade não pode ser garantida. O resultado depende de fatores que incluem a gravidade da lesão, as condições dos tecidos e a resposta do organismo ao tratamento.
Recuperação funcional também exige atenção ao lado emocional
As consequências de uma lesão na mão nem sempre se limitam ao ferimento. Para quem depende dos movimentos manuais no trabalho, a perda de força, sensibilidade ou precisão pode representar afastamento profissional, mudanças na rotina e preocupação com a própria independência.
Camargo observa que essas limitações podem afetar o bem-estar emocional, especialmente quando a recuperação é prolongada ou existe incerteza sobre o retorno às atividades anteriores.
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A reabilitação pode envolver fisioterapia, terapia da mão, acompanhamento médico e exercícios orientados, de acordo com as estruturas lesionadas. Em determinados casos, o processo exige adaptações e pode não resultar no restabelecimento completo da função.
Para o especialista, preparar o paciente para essa possibilidade é parte essencial do cuidado.
“Todo o trabalho que vou fazer no centro cirúrgico representa cerca de trinta por cento do tratamento. Os outros setenta dependem da força de vontade, do controle da dor, do controle emocional e da constância no tratamento. Se o paciente entende, desde o início, que está diante de um processo, e não apenas de uma intervenção, ele terá maior compreensão e confiança durante a recuperação”, explica.
A proporção utilizada pelo médico é ilustrativa e expressa sua percepção sobre a importância da participação do paciente, não constituindo uma medida científica aplicável a todos os casos.
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O acompanhamento contínuo permite observar a evolução da recuperação, identificar dificuldades e adaptar as orientações às necessidades individuais. Esse cuidado também envolve reconhecer que o medo de perder movimentos ou de não conseguir retornar ao trabalho pode influenciar a experiência de quem enfrenta uma lesão.
A principal recomendação é não subestimar acidentes envolvendo as mãos. Mesmo um corte de pequenas dimensões pode exigir avaliação especializada, especialmente quando há alterações de movimento ou sensibilidade. A identificação adequada da lesão ajuda a definir as possibilidades de tratamento e a reduzir o risco de complicações.
Quem é Thiago Camargo
Natural de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, Thiago Trindade Camargo cresceu em uma família ligada à educação e à saúde. Filho de professores universitários de Fisioterapia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), teve contato desde cedo com o ambiente acadêmico e com a área da reabilitação, também presente em sua rotina como praticante de esportes competitivos.
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Seu primeiro caminho profissional, entretanto, foi a tecnologia. Ingressou no curso de Engenharia da Computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mas, durante a graduação, percebeu que desejava uma profissão com maior proximidade e contato humano. A decisão o levou à Medicina, curso que concluiu em 2014, na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina.
Entre 2016 e 2019, realizou residência médica em Ortopedia e Traumatologia no Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí. Posteriormente, seguiu para São Paulo, onde realizou residência em Cirurgia da Mão no Hospital Alvorada Moema, entre 2020 e 2022, e formação complementar em Microcirurgia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em 2021.
Seu histórico acadêmico também registra o título de membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), obtido em 2019, e o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), em 2022. A experiência em diferentes ambientes hospitalares contribuiu para a construção de uma atuação voltada tanto ao tratamento das lesões quanto à recuperação funcional dos pacientes.
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Atualmente, trabalha com Ortopedia e Cirurgia da Mão em Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema e região, incluindo atendimentos clínicos e procedimentos cirúrgicos. Também integra a equipe médica do Barra Futebol Clube e participa da formação de novos profissionais como preceptor de residência médica em Itajaí.
A atenção ao acolhimento acompanha sua trajetória desde a graduação, quando desenvolveu um trabalho acadêmico dedicado à avaliação do atendimento nos serviços básicos de saúde. Na prática clínica, procura considerar não apenas a condição física, mas também as dificuldades emocionais e sociais que podem acompanhar o adoecimento.
“Dentro do meu consultório, o ator principal é o paciente. Ele está aqui para ser tratado, e não apenas para que a lesão dele seja tratada”, resume.
Thiago Trindade Camargo | CRM-SC 20718 | RQE 17477 — Ortopedia e Traumatologia | RQE 22106 — Cirurgia da Mão
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Crédito: Tv Notícias Assessoria de Imprensa / Brasil News

