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Desgaste no joelho e quadril: Mauro Assis mostra o que a ciência permite

Ortopedista esclarece quando os cuidados não cirúrgicos podem ajudar nas dores de joelho e quadril

7 min

03/11/2026 15:09 • Atualizado há 1 hora

Desgaste no joelho e quadril: Mauro Assis mostra o que a ciência permite

TV NOTÍCIAS ASSESSORIA DE IMPRENSA- BRASIL NEWS

Conviver com dores no joelho ou no quadril pode comprometer muito mais do que a capacidade de caminhar. Atividades simples, como subir escadas, entrar no carro ou vestir uma meia, podem se tornar difíceis à medida que a mobilidade diminui. Para pacientes que enfrentam esse cenário, os avanços da ortopedia ampliam as possibilidades de tratamento, mas também levantam uma dúvida importante: é possível recuperar uma articulação desgastada sem recorrer à cirurgia?

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A chamada ortopedia regenerativa reúne diferentes abordagens utilizadas no cuidado de condições musculoesqueléticas. Embora o nome sugira a reconstrução de tecidos comprometidos, os procedimentos disponíveis não garantem a regeneração da cartilagem, e seus resultados dependem de fatores clínicos e das evidências científicas para cada indicação.

O médico ortopedista Mauro Paula Assis Neto, que atua em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, acompanha essas possibilidades terapêuticas e destaca a importância de distinguir os avanços reais das expectativas criadas em torno das novas técnicas.

“Existe muito estudo, e acredito que a medicina vai chegar a um momento de evolução ainda maior. Mas regenerar de fato a cartilagem, como se ela pudesse ficar novamente como era antes, não é o que conseguimos fazer hoje. É importante entender essa diferença”, explica.

Quais tratamentos são utilizados na ortopedia regenerativa?

Entre os procedimentos associados à ortopedia regenerativa estão as infiltrações com ácido hialurônico, o plasma rico em plaquetas (PRP) e técnicas que utilizam material biológico, como o aspirado de medula óssea. Apesar de serem frequentemente apresentados sob uma mesma denominação, possuem mecanismos distintos, diferentes níveis de evidência científica e exigências regulatórias próprias.

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O ácido hialurônico é uma substância presente naturalmente nas articulações, contribuindo para a lubrificação e o funcionamento das superfícies articulares. Sua aplicação por infiltração pode ser considerada em determinadas situações para auxiliar no controle dos sintomas, embora os benefícios sejam variáveis e as recomendações médicas não sejam uniformes.

Já o PRP é obtido a partir do sangue do próprio paciente, submetido a um processamento que concentra as plaquetas, componentes envolvidos em processos biológicos de reparação dos tecidos. Em julho de 2026, o Conselho Federal de Medicina regulamentou seu uso como tratamento complementar para condições específicas, incluindo a osteoartrite do joelho. A autorização não abrange automaticamente a artrose do quadril.

O aspirado de medula óssea, por sua vez, contém diferentes componentes celulares e é objeto de investigações científicas. Sua utilização terapêutica precisa observar as exigências sanitárias e regulatórias aplicáveis, sem que a presença dessas células represente garantia de reconstrução da cartilagem.

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Na avaliação de Mauro Assis, o cuidado articular deve envolver também medidas capazes de atuar sobre fatores que influenciam a evolução dos sintomas.

“Eu gosto de acolher a dor desse paciente, diminuir essa dor. Mas gosto de dar seguimento para a prevenção, para que esse estado atual não se agrave ou se agrave numa velocidade menor. É nessa trajetória que entram os recursos terapêuticos, sempre buscando proporcionar qualidade de vida”, afirma.

A abordagem pode incluir fortalecimento muscular, controle do peso corporal, quando necessário, e outras medidas individualizadas. Esses cuidados são particularmente relevantes em condições como a artrose, caracterizada por alterações progressivas nos tecidos que compõem a articulação.

O que esperar dos resultados e quando considerar uma cirurgia?

Uma das maiores dúvidas sobre os tratamentos articulares está relacionada ao tempo necessário para perceber melhora e à duração dos efeitos. A resposta, entretanto, não é uniforme. Ela pode variar conforme a condição da articulação, a intensidade dos sintomas, as características individuais e o tipo de intervenção realizada.

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Em sua prática, Mauro Assis relata utilizar diferentes estratégias para o controle da dor, incluindo bloqueios anestésicos e infiltrações em situações selecionadas. Essas intervenções podem proporcionar alívio em determinados pacientes, mas a redução do desconforto não significa que o tecido articular tenha sido regenerado.

O ortopedista explica por que considera importante não limitar o acompanhamento a um único procedimento.

“A gente tem que fazer um conjunto de terapias. Eu faço uma combinação de intervenções. Quando você consegue diminuir a dor, o paciente passa a ter uma condição mais favorável para dar continuidade ao tratamento. Mas existe também aquela situação em que a resposta não atinge a expectativa, tanto do paciente quanto a nossa, como médicos”, relata.

O acompanhamento permite observar a evolução da mobilidade, a capacidade de realizar atividades cotidianas e a necessidade de rever as estratégias adotadas. Quando a dor persiste apesar dos tratamentos conservadores e a limitação funcional se torna importante, uma avaliação cirúrgica pode ser necessária.

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Para Mauro, essa decisão exige atenção especial ao impacto da doença sobre a rotina e às condições individuais de cada pessoa.

“Quando a pessoa já está comprometendo o seu cotidiano, tem dificuldade para colocar um sapato, vestir uma meia, sentar no vaso sanitário ou entrar em um carro, você percebe essa limitação. Quando toda a trajetória do tratamento conservador não consegue melhorar a qualidade de vida e a dor continua limitante, aí a indicação passa a ser cirúrgica”, explica.

A possibilidade de cirurgia, no entanto, não significa que todo paciente com desgaste articular precisará passar por uma operação. A decisão depende do diagnóstico, da gravidade do quadro, dos tratamentos anteriores, dos riscos envolvidos e das preferências individuais.

Prevenção e informação ajudam a preservar a qualidade de vida

O cuidado com as articulações não depende exclusivamente de medicamentos ou procedimentos. A manutenção da força muscular, a prática de atividades físicas compatíveis com a condição clínica e o controle de fatores que aumentam a sobrecarga articular podem contribuir para preservar a funcionalidade ao longo dos anos.

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Reconhecer os sinais de comprometimento também é importante. Dor persistente, rigidez, perda progressiva de movimento e dificuldades nas atividades habituais merecem avaliação, especialmente quando passam a interferir na autonomia.

Além dos sintomas físicos, o receio de perder a independência ou precisar de uma cirurgia pode influenciar a maneira como o paciente enfrenta o problema. Por isso, esclarecer as alternativas disponíveis e estabelecer expectativas realistas faz parte de um cuidado que considera não apenas a articulação, mas a pessoa que convive com a doença.

Mauro Assis ressalta que compreender a origem da dor pode evitar que o paciente adie uma investigação necessária.

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“Se existe dor, o corpo está manifestando, e isso é um sinal. É melhor, diante desse sinal, procurar ajuda especializada. Essa dor pode ser tratada e, quando o cuidado é adiado, pode se tornar algo mais sério. O que seria mais fácil de tratar no início pode se tornar mais complexo posteriormente”, orienta.

Os avanços da ortopedia oferecem novas possibilidades, mas não eliminam a necessidade de diagnóstico adequado, avaliação individualizada e acompanhamento clínico. Entender os benefícios e as limitações de cada tratamento é parte fundamental de uma decisão consciente sobre a saúde do joelho e do quadril.

Quem é Mauro Assis

Natural de Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, Mauro Paula Assis Neto cresceu em uma família com forte ligação com a medicina. Filho de um ortopedista e de uma psicóloga, encontrou nesse ambiente as primeiras referências para sua escolha profissional, desenvolvendo desde cedo o interesse pela Ortopedia, especialmente pela cirurgia de quadril.

Graduado em Medicina em Presidente Prudente, em 2008, realizou sua formação em Ortopedia em Santos, onde também se aprofundou na cirurgia de quadril. Posteriormente, ampliou seus conhecimentos por meio de treinamentos em cirurgia de joelho e ortopedia regenerativa em São Paulo. Sua experiência profissional inclui a atuação em hospitais da Baixada Santista, período que contribuiu para sua formação clínica e cirúrgica.

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Após essa trajetória, retornou à cidade natal, onde desenvolve sua atividade médica com foco em cirurgias de quadril e joelho e tratamentos voltados à preservação da função articular. Integra o corpo clínico da Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo e mantém atuação tanto na medicina privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).

Em sua prática, valoriza a escuta atenta, o exame físico e a compreensão das particularidades de cada paciente. Para o ortopedista, a evolução tecnológica deve caminhar ao lado de uma relação de confiança, na qual o cuidado considera não apenas o diagnóstico, mas também os impactos da dor sobre a autonomia e a qualidade de vida.

Mauro Paula Assis Neto - CRM-SP 134.609 | RQE 37.138*

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