Saúde

Dia do Brincar: como atividades lúdicas preservam a saúde mental

Especialista destaca que brincadeiras são essenciais para desenvolvimento

3 min

28/05/2026 09:58 • Atualizado há 96 dias

Dia do Brincar: como atividades lúdicas preservam a saúde mental

Nesta quinta-feira (28) é comemorado o Dia Nacional do Brincar, que busca promover a conscientização da importância de brincadeiras durante a infância. Estudos demonstram que atividades lúdicas são essenciais para o desenvolvimento e para a própria saúde mental, conforme destaca a psicopedagoga Luciana Brites, Mestre e Doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento e autora do livro “Brincar é Fundamental”.

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“No plano neurológico, a gente sabe que o brincar ativa muito do sistema de recompensa, que é o sistema dopaminérgico. Então, tem liberação de dopamina, serotonina, endorfina, queda do cortisol, que é o hormônio do estresse crônico. Quando a gente diminui a oportunidade de brincar — e nas últimas décadas isso tá associado diretamente ao aumento de transtornos de ansiedade, depressão, comportamentos inclusive aí suicidas e com comportamentos complicados, comportamentos patológicos em crianças e adolescentes”, relata ela ao Band.com.br.

A especialista destaca ainda que brincadeiras estimulam crianças a lidarem com dinâmicas emocionais complexas, uma vez que jogos permitem que elas sintam alegria, frustração, paciência, decepção, entre outros.

“A gente sabe que 95% da nossa estrutura cerebral é feita na primeira infância e nessas relações que são do ambiente e também a parte genética ali, a gente faz essa interação. Então, adultos que não desenvolvem, chegam à fase adulta com dificuldade, a gente sabe, de tolerar a frustração, de resolver conflito e a questão do imprevisto”, ressalta ela.

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Luciana frisa ainda que a brincadeira permite que as crianças criem conexões profundas umas com as outras e com os próprios pais;

“O brincar é permeado seja por vínculos com irmãos, com pais, com os amiguinhos. Então, a gente sabe que essa brincadeira compartilhada fortalece a questão da competência, a conexão social, gera esse bem-estar psicológico em todos os lados dessa relação”, explica.

Outros benefícios

Além de ajudar no psicológico das crianças, brincadeiras também possuem outros benefícios para a saúde, que passam inclusive pelos sistemas imunológico e cardiovascular.

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"Sabemos que quando o cortisol, que é esse hormônio do estresse, cai, o sistema imune trabalha melhor. O cardiovascular trabalha a brincadeira, então a brincadeira com a movimentação regula a pressão, frequência cardíaca, metabolismo. Existe ainda a questão da coordenação motora ampla e também coordenação motora fina", detalha.

Desafios com novas tecnologias

Itens como tablets, celulares e games trouxeram novos desafios para a educação e o ato de brincar também afetado por eles.

Luciana Brites argumenta que os celulares e os games não devem ser vistos como inimigos, mas também não equivalem ao brincar corporal; tratam-se de categorias com efeitos e estímulos totalmente diferentes.

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Ela ainda lembra que essa preocupação com as telas não é inédita: há anos o alvo era a televisão. O ponto principal é que toda e qualquer tecnologia precisa ser mediada por um adulto.

“Eu acho que essa que é a grande questão. Quando a gente terceiriza isso para as nossas crianças. Quando o game ou a qualquer tecnologia ocupa o lugar da brincadeira ativa, social, você está tendo uma perda. Você não trabalha o equilíbrio corporal, você não lê o corpo do outro, você não tem a questão do espaço físico. Os adolescentes, eles chegam a passar muitas vezes 8 horas por dia em telas. Então, eles acabam ficando reféns, e é um mecanismo que tem muito essa autorecompensa. Você acaba tendo, inclusive, vício nesse tipo de questão. Não é a tecnologia em si, é como é regulado e estruturado o uso dessa tecnologia”, afirma.

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